Justiça toma medidas contra fundador do ‘Meninas Cantoras’ por abuso

Justiça toma medidas contra fundador do 'Meninas Cantoras' por abuso

Justiça do Rio de Janeiro Impõe Medidas Protetivas Contra Maestro Acusado de Abusos

A Justiça do Rio de Janeiro tomou uma medida importante em resposta a acusações graves contra o maestro Marco Aurélio Xavier, fundador das Meninas Cantoras de Petrópolis. As denúncias de abusos sexuais, psicológicos e morais, que foram trazidas à tona por ex-integrantes do coral, resultaram em medidas protetivas para garantir a segurança das vítimas.

As informações sobre os abusos, que ocorreram ao longo de várias décadas, foram inicialmente publicadas pela revista Piauí, despertando a atenção da sociedade e das autoridades. O coral, ativo entre 1976 e 2016, foi reconhecido como um dos mais tradicionais do Brasil, sendo o primeiro a reunir exclusivamente vozes femininas infantojuvenis, com idades entre 5 e 15 anos.

A decisão da 3ª Vara de Garantias de Petrópolis foi tomada com o apoio da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, que representa as ex-coralistas. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (27), o órgão informou as medidas cautelares estabelecidas pelo tribunal.

Reação do Maestro e Depoimentos Impactantes

A Folha de S.Paulo tentou entrar em contato com Marco Aurélio Xavier para obter uma resposta sobre as acusações e a investigação, mas não teve sucesso. O ex-maestro, que apagou seu perfil no Instagram após as denúncias, havia postado um vídeo em junho, no qual alegava que a situação era "imensamente pior" do que o que havia sido relatado.

A jornalista e escritora Carla Magno, uma das mulheres que se manifestou sobre os abusos, revelou que foi a primeira a ser ouvida pela Polícia Civil no inquérito aberto. Ela ingressou no coral aos 9 anos e descreveu o ambiente como marcado por disciplina severa e humilhações. Carla relatou experiências de abuso que ocorreram quando tinha entre 12 e 13 anos, detalhando o comportamento inadequado do maestro durante viagens e ensaios.

“Ele humilhava as meninas que cometiam erros e criava apelidos ofensivos”, disse Carla. A relação com o maestro era permeada por medo, e muitas meninas buscavam sua aprovação.

Objetivo de Romper o Silêncio

Após anos guardando o segredo, Carla decidiu se unir a outras ex-integrantes para compartilhar suas experiências. “Meu objetivo é dar voz a outras mulheres que passaram por situações semelhantes e incentivá-las a denunciar”, afirmou. Para ela, a reação de Xavier após as reportagens demonstra um sentimento de impunidade que precisa ser confrontado.

Medidas Protetivas Impostas pela Justiça

As medidas protetivas incluem a proibição de Xavier de fazer qualquer declaração pública sobre o caso e de se aproximar das vítimas e testemunhas. Além disso, ele deve manter uma distância mínima de 500 metros das ex-coralistas e teve que remover fotos relacionadas ao caso de suas redes sociais.

A Defensoria Pública informou que o Coletivo das Meninas Cantoras de Petrópolis, que conta com mais de 50 mulheres, está atuando ativamente na coleta de depoimentos e na comunicação dos fatos ao Ministério Público e à Polícia Civil.

Investigação em Andamento

O Ministério Público já requisitou a abertura de um inquérito na 105ª DP (Petrópolis), mas os detalhes da investigação permanecem sob sigilo legal. A Polícia Civil também não divulgou informações adicionais sobre o andamento do caso.

A sociedade aguarda que os desdobramentos dessa investigação resultem em mudanças significativas e que as vítimas encontrem a justiça que merecem.

Fonte: Link original

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