Desaparecimento de Indígena em Manaus Levanta Sinais de Alerta para Direitos Humanos
Um indígena da etnia madihas kulina, identificado como Nube Oma Kulina, de 24 anos, está desaparecido há três meses após ser solto de um presídio em Manaus, a cerca de 1.200 km de sua terra natal em Envira, no Amazonas. A situação gerou preocupação entre familiares, organizações indígenas, e representantes da Justiça e do Ministério Público, que buscam respostas sobre o paradeiro do jovem.
Nube foi transferido para o Centro de Detenção Provisória de Manaus (CDPM II) após ser preso preventivamente em julho do ano passado, acusado de tentativa de feminicídio. Sua soltura ocorreu em 28 de maio, conforme consta em seu alvará, mas desde então não há informações sobre seu paradeiro. A Defensoria Pública do Amazonas fez um pedido oficial ao governo estadual solicitando esclarecimentos sobre a liberação do indígena, que ocorreu sem o aviso prévio a defensores, familiares ou à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
A falta de comunicação se torna ainda mais crítica, considerando que Nube não fala português e não possui familiares ou redes de apoio em Manaus, uma cidade com 2 milhões de habitantes. De acordo com a Funai, é essencial que indígenas em situação como a de Nube sejam acompanhados e informados sobre seus direitos e libertação.
A Defensoria e a Funai registraram um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento, mas até o momento, o Governo do Amazonas não se manifestou sobre a situação. A reportagem tentou contato com as autoridades competentes, mas não obteve resposta.
Este caso se assemelha ao de Tadeo Kulina, também da etnia madihas kulina, que desapareceu em fevereiro de 2024. Tadeo foi encontrado morto após ser levado para Manaus durante a gestação da esposa. O caso levantou questões sobre a investigação policial, que inicialmente tratou a morte como homicídio e depois a classificou como acidente.
A transferência de Nube e de outros presos de Envira para Manaus foi determinada em um contexto de segurança, devido a ameaças e ações de facções criminosas na região. A decisão judicial visava proteger os detentos em um ambiente que se tornava cada vez mais perigoso.
A Funai, em correspondência oficial, confirmou que Nube estava na cela 4 da Unidade Prisional do Puraquequara em Manaus e reiterou a necessidade de medidas para sua localização após a soltura. A situação de Nube é um exemplo da vulnerabilidade enfrentada por indígenas que não possuem suporte social ao serem transferidos para grandes centros urbanos.
A Defensoria Pública também destacou casos anteriores de indígenas e outros detentos que foram soltos sem rede de apoio e acabaram vivendo em situação de rua. A repetição desses episódios levou a Defensoria a buscar uma solução junto à Corregedoria da Justiça do Amazonas.
A necessidade urgente de um plano estruturante para garantir a segurança e os direitos dos indígenas após a soltura é evidente, especialmente em um contexto onde a falta de comunicação pode ter consequências devastadoras.
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