Na última semana, o Instagram foi inundado com conteúdos de apoio ao escritor e candidato à Presidência, Augusto Cury. Influenciadores postaram vídeos roteirizados anunciando seu voto nele, o que resultou em um aumento significativo de seguidores – Cury ganhou quase 2,5 milhões de novos seguidores entre 16 e 29 de agosto, superando Flávio Bolsonaro, Renan Santos e até o presidente Lula. Esse crescimento foi destacado em um relatório do Instituto Democracia em Xeque (DX), que também mostrou que Cury obteve 11% das intenções de voto em uma pesquisa, uma alta de nove pontos em relação à pesquisa anterior.
Entretanto, a campanha de Cury enfrentou suspeitas de que ele teria pago influenciadores para promover sua candidatura, o que é proibido pela legislação eleitoral. A equipe de Cury, liderada pelo marqueteiro Sergio Lima, nega qualquer irregularidade, defendendo que o crescimento nas redes sociais é genuíno e reflete um desejo de pacificação em um cenário polarizado. Lima argumenta que a estratégia de comunicação da campanha, que inclui interações diretas com eleitores indecisos, diferiu das abordagens mais agressivas de outros candidatos.
Cury, conhecido por seus livros de autoajuda e saúde mental, é o presidenciável com o maior patrimônio declarado, superior a R$ 242 milhões. Em um debate recente, ele enfatizou sua intenção de se distanciar da agressividade de outros candidatos, como Renan Santos. Durante uma participação em uma sabatina no Jornal Nacional, suas propostas inusitadas, como o uso de drones para ajudar mulheres em situação de violência, geraram memes nas redes sociais.
O cientista político Jorge Chaloub observa que Cury se destaca por uma posição ideológica ambígua, que pode atrair eleitores descontentes com as figuras mais polarizadoras como Lula e Flávio. Ele sugere que Cury se aproveita da figura do “coach” bem-sucedido, e seu discurso ressoa com eleitores que buscam alternativas ao discurso político tradicional. Além disso, a crescente popularidade de Cury também é atribuída ao apoio de influenciadores de diversas áreas, que promovem mensagens positivas sobre ele, muitas vezes sem um histórico político prévio.
Embora o Instagram tenha sido um veículo de crescimento para Cury, no Twitter o cenário foi diferente, com reações negativas e deboches em relação às suas propostas. A análise do DX também revelou que Cury teve o maior índice de mensagens automatizadas entre os candidatos em aplicativos de mensagem, o que levanta mais questões sobre a autenticidade de seu apoio nas redes.
Em suma, a campanha de Augusto Cury tem ganhado destaque nas redes sociais, refletindo um apelo a eleitores que sentem-se cansados da polarização política. No entanto, as suspeitas de irregularidades e a ambiguidade de sua posição ideológica geram debates em torno de sua viabilidade como candidato. O fenômeno Cury nas redes sociais pode ser visto como parte de uma nova dinâmica eleitoral, onde influenciadores e a comunicação digital desempenham papéis cruciais.
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