Casas Bahia fecha 298 lojas após prejuízo de R$ 10,1 bilhões

Casas Bahia fecha 298 lojas após prejuízo de R$ 10,1 bilhões

Casas Bahia Enfrenta Crise Financeira com Prejuízo de R$ 10,1 Bilhões no Segundo Trimestre de 2026

O Grupo Casas Bahia atravessa um momento crítico em sua trajetória, registrando um prejuízo líquido alarmante de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Esse resultado revela uma deterioração significativa da saúde financeira da varejista e levanta incertezas sobre a continuidade de suas operações.

As demonstrações financeiras foram divulgadas na madrugada deste domingo (16), acompanhadas por um relatório da auditoria Ernst & Young (EY), que se absteve de emitir uma conclusão sobre o balanço, citando incertezas relevantes relacionadas à continuidade operacional da empresa. O prejuízo trimestral é um aumento drástico em comparação ao déficit de R$ 555 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. No primeiro semestre de 2026, as perdas acumuladas já somam R$ 11,2 bilhões.

De acordo com a EY, a situação é preocupante, com um capital circulante líquido negativo e um patrimônio líquido deficitário de R$ 8,27 bilhões, indicando dúvidas significativas sobre a capacidade da companhia de se manter ativa no mercado. Um dos principais fatores que contribuíram para esse resultado negativo foram os efeitos contábeis não recorrentes, incluindo uma baixa de R$ 5,7 bilhões em ativos fiscais diferidos, R$ 970 milhões em impairment de ágio e R$ 1,8 bilhão em provisões relacionadas à revisão de contratos, reestruturação de pessoal e fechamento de lojas. Mesmo desconsiderando esses efeitos, o prejuízo ajustado cresceu para R$ 978 milhões no trimestre, em comparação aos R$ 555 milhões do ano anterior.

Captação de Recursos Frustrada Agrava a Crise de Caixa

Um dos pontos críticos que agravou a situação financeira foi a tentativa malsucedida de captação de recursos internacionais, considerada vital para o planejamento financeiro da empresa. Embora a negociação estivesse em estágio avançado, o investidor principal desistiu antes do fechamento do acordo. Outras tentativas de captação, como empréstimos-ponte, também não avançaram conforme o esperado.

A Casas Bahia alega possuir R$ 6,3 bilhões em créditos fiscais federais e estaduais, mas enfrenta dificuldades para transformar esses ativos em liquidez. A restrição de crédito também impactou o estoque da rede, que caiu de R$ 5,4 bilhões em março para R$ 4,24 bilhões em junho, resultando em uma redução de R$ 1,16 bilhão em apenas três meses. Apesar de um crescimento de 1,6% na receita líquida do trimestre, que alcançou cerca de R$ 7 bilhões, o Ebitda ajustado caiu 9,4%, para R$ 518 milhões, com a margem Ebitda ajustada reduzida de 8,3% para 7,4% em comparação ao ano anterior.

Fechamento de Lojas e Impacto nos Funcionários

Como parte de sua estratégia de reestruturação, a empresa fechou 298 lojas em todo o Brasil e demitiu cerca de 1,9 mil funcionários, representando 6,7% de sua força de trabalho. No Rio de Janeiro, onde a Casas Bahia contava com 90 unidades em maio deste ano, a empresa não divulgou quantas lojas foram fechadas nem uma lista oficial por estado.

O fechamento repentino de lojas em Osasco gerou preocupações no Sindicato dos Empregados no Comércio local (Secor). Funcionários foram surpreendidos e aguardam esclarecimentos sobre suas rescisões, liberação de FGTS e seguro-desemprego. O presidente do sindicato, Luciano Pereira Leite, afirmou que a entidade acompanhará de perto a situação para garantir os direitos dos trabalhadores, orientando-os a não assinarem documentos de desligamento sem a devida análise jurídica.

A Casas Bahia já havia enfrentado uma recuperação extrajudicial em 2024, que foi encerrada com um acordo junto a credores, mas agora se vê pressionada por altas despesas financeiras em um contexto de juros elevados e uma demanda fraca, resultado do endividamento das famílias brasileiras. A continuidade das operações da empresa permanece incerta, enquanto ela busca alternativas para reorganizar sua estrutura de capital.

Fonte: Link original

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