Comércio de Frango entre Brasil e China: Entenda a Nova Dinâmica do Setor
A crescente produção de carne e laticínios na China está redefinindo o mercado global de proteínas, impactando diretamente a competitividade de países tradicionais como o Brasil. Com uma oferta excessiva e preços mais acessíveis, os produtores chineses estão conquistando espaço em mercados onde antes predominavam as exportações brasileiras.
Nos últimos anos, a China passou a incentivar a expansão da produção agropecuária como parte de uma estratégia para garantir a segurança alimentar. No entanto, o consumo interno sofreu uma desaceleração, resultando em um excedente que está sendo direcionado para o exterior. Em 2025, as exportações chinesas de produtos de frango atingiram impressionantes US$ 2,6 bilhões, quase o dobro do que foi registrado em 2020.
Mudanças no Consumo Chinês
Historicamente, a carne suína dominou a mesa dos chineses, mas essa tendência começou a mudar. A demanda por carne suína caiu 13% desde seu pico em 2023, conforme dados oficiais. Em contrapartida, o consumo de frango cresceu mais de 50% na última década, refletindo uma mudança significativa nos hábitos alimentares, especialmente entre os urbanos.
A produção de carne suína na China alcançou um recorde de 59 milhões de toneladas em 2025, enquanto a produção de aves também apresentou um aumento de 7%. Essa combinação de aumento na produção e queda no consumo de carne suína está gerando um excedente que os produtores estão agora buscando negociar internacionalmente.
Preços Competitivos Atraem Compradores
Os cortes de frango da China estão sendo oferecidos a preços que variam de 10% a 20% mais baixos do que os produtos brasileiros, conforme aponta Ezequiel Pires, presidente da Branexx. Essa diferença tem atraído compradores, especialmente em mercados africanos que buscam alternativas mais baratas.
A expansão das vendas chinesas está também preocupando concorrentes como a Tailândia, onde as indústrias locais vêm utilizando os preços chineses como parâmetro para negociações com seus próprios fornecedores.
Crescimento nas Exportações para Mercados Tradicionais
Os dados de comércio internacional revelam que a participação da China no mercado de produtos de aves processadas na União Europeia dobrou desde 2022, alcançando 10%. No Reino Unido, esse número triplicou, superando 14%. Essa dinâmica aumenta a pressão sobre os produtores europeus e asiáticos, além de desafiar os exportadores brasileiros que também buscam esses mercados.
Além do frango, as empresas chinesas estão ampliando suas exportações de laticínios, com estimativas de que esses produtos alcancem US$ 600 milhões em 2026, o dobro do valor registrado em 2023.
Políticas de Incentivo e Eficiência na Produção
O crescimento da produção na China é sustentado por políticas governamentais focadas na segurança alimentar e na ampliação das operações de grandes empresas agropecuárias. Entre 2022 e 2024, os subsídios representaram cerca de 13% da receita bruta dos produtores agrícolas, quase três vezes mais do que no início dos anos 2000.
A indústria avícola chinesa também tem investido em instalações maiores e processos mais eficientes, como demonstrado pela Wintop Food, que aumentou significativamente a capacidade de alojamento de frangos em suas granjas.
Desafios de Qualidade e Segurança
Apesar do crescimento nas exportações, a indústria chinesa enfrenta desconfiança em relação à qualidade de seus produtos, devido a um histórico de escândalos de segurança alimentar. Para se firmar no mercado internacional, os produtores precisam comprovar que atendem aos rigorosos padrões de qualidade e rastreabilidade exigidos, especialmente na União Europeia.
Os preços competitivos são, sem dúvida, um fator decisivo para os compradores, mas a reputação em relação à qualidade dos produtos será fundamental para a consolidação da presença chinesa no comércio global de proteínas.
Conclusão
A combinação de uma produção em larga escala, oferta excedente e preços acessíveis pode aumentar a presença da China no mercado global de frango, intensificando a concorrência com exportadores tradicionais como o Brasil. As próximas etapas da dinâmica comercial entre esses dois gigantes do setor avícola prometem trazer novos desafios e oportunidades.
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