Conflitos na Cisjordânia: Colonos israelenses atacam mesquitas e propriedades palestinas
Nas últimas horas, a tensão na Cisjordânia aumentou significativamente após ataques realizados por colonos israelenses, que incendiaram duas mesquitas, além de veículos e terras agrícolas, de acordo com autoridades palestinas. Esses eventos ocorrem apenas dois dias após um confronto na aldeia de Tal, que resultou na morte de quatro palestinos e dois israelenses.
Tanto os colonos quanto os palestinos se acusam mutuamente de incitar a violência. O episódio em Tal exacerbou ainda mais a situação, em meio a um aumento contínuo dos ataques por parte de colonos extremistas contra palestinos, frequentemente incentivados por elementos da extrema-direita do governo israelense.
Relatos palestinos indicam que pelo menos duas aldeias na Cisjordânia ocupada foram alvo de ataques durante a noite. Veículos foram danificados, propriedades foram saqueadas e pichações de ódio foram encontradas em muros. O prefeito de Qusra informou que uma mesquita em construção foi alvo de incêndio por parte dos colonos. Abdul Azim Wadi, morador da região, declarou que os atacantes deixaram mensagens de "vingança" nas paredes da mesquita.
O Exército israelense afirmou que enviou tropas para Qusra e que a polícia está investigando os incidentes e coletando provas. Em um episódio separado, colonos também incendiaram outra mesquita na aldeia de Kour e picharam slogans em suas paredes. Desde o confronto em Tal, os palestinos relatam um aumento no número de ataques por parte de colonos em diversas aldeias da região.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) realizaram incursões e prenderam dezenas de palestinos em uma operação que classificam como "contra-terrorismo". O Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu "ações contundentes" em resposta ao incidente em Tal, incluindo a possível demolição das casas de dois palestinos supostamente envolvidos.
Nos últimos meses, os ataques de colonos na Cisjordânia aumentaram drasticamente, atraindo condenação internacional, mas sem sinais de redução. A situação já era crítica antes dos ataques liderados pelo Hamas em Israel em 7 de outubro de 2023, mas desde que a guerra entre Israel e Hamas começou em Gaza, a violência dos colonos na Cisjordânia se intensificou.
De acordo com a ONU, 1.114 palestinos foram mortos na Cisjordânia, a maioria em confrontos com as IDF, sendo que pelo menos 35 dessas mortes envolveram ataques de colonos. Além disso, 41 israelenses, incluindo civis e membros das forças de segurança, foram mortos em ataques palestinos ou durante operações militares israelenses na Cisjordânia desde o início do conflito em Gaza.
Desde a ocupação da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental em 1967, Israel construiu centenas de assentamentos que abrigam cerca de 700.000 judeus. Os palestinos, que somam aproximadamente 3,3 milhões de pessoas vivendo na mesma região, almejam essas terras, junto com Gaza, para a formação de um futuro estado. Os assentamentos são considerados ilegais sob a legislação internacional.
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