Streamer Jean Pormanove morre durante transmissão ao vivo e responsáveis são condenados na França
Na última quarta-feira (5), o tribunal criminal de Nice, na França, proferiu sentença contra os streamers Owen Cenazandotti, conhecido como Naruto, e Safine Hamadi, conhecido como Safine, em um caso que chocou a comunidade digital. Ambos foram condenados a penas de prisão suspensas, multas e a um “banimento digital” de seis meses por atos de violência e humilhação online que culminaram na morte do influenciador Jean Pormanove, que ocorreu em agosto de 2025 durante uma live.
Naruto, de 27 anos, recebeu uma pena de dois anos de prisão com suspensão condicional e foi multado em 15 mil euros (cerca de R$ 88 mil). Por sua vez, Safine, de 24 anos, foi condenado a 18 meses de prisão com suspensão condicional e uma multa de 5 mil euros (aproximadamente R$ 29 mil). A suspensão condicional implica que os dois não precisarão cumprir suas penas imediatamente, desde que respeitem as condições impostas pela Justiça.
Durante suas transmissões ao vivo, que inicialmente ocorreram na plataforma Twitch e posteriormente na Kick, os streamers promoviam conteúdos que envolviam violência e humilhação. O caso de Pormanove ganhou notoriedade após sua morte em uma transmissão que apresentava episódios de abuso, assistidos por uma audiência significativa na plataforma Kick.
As investigações apontaram que os vídeos exibidos durante as lives mostravam Jean submetido a situações de agressão, levantando preocupações sobre a responsabilidade das plataformas digitais na moderação de conteúdos potencialmente nocivos. Antes de sua morte, investigações já indicavam que o grupo de streamers utilizava práticas de humilhação como forma de entretenimento e monetização, atraindo milhares de espectadores.
Após o trágico evento, a plataforma Kick anunciou o banimento dos criadores envolvidos e se viu no centro de um debate sobre a responsabilidade das redes sociais em relação à fiscalização de conteúdos violentos. Fundada em 2022, a Kick se destacou entre os criadores de conteúdo por oferecer uma divisão de receita mais atrativa e por adotar uma política de moderação considerada menos rigorosa em comparação com concorrentes como a Twitch. Em nota, a plataforma afirmou que estava revisando as circunstâncias da morte de Pormanove e reiterou que suas diretrizes proíbem conteúdos que retratem ou incentivem violência extrema.
Este caso levanta questões cruciais sobre a ética e a responsabilidade das plataformas de streaming na proteção de seus usuários, especialmente aqueles que podem ser vulneráveis a conteúdos prejudiciais. A comunidade digital agora aguarda as próximas medidas que serão tomadas para evitar que tragédias como esta se repitam.
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