A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada recentemente, investiga o Banco Genial por supostas operações financeiras ligadas a líderes da facção criminosa PCC, que teriam utilizado a instituição para lavar dinheiro após romperem com a gestora Reag, liquidada pelo Banco Central (BC). Segundo a decisão judicial que autorizou a operação, os líderes Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, ou “Primo”, teriam elaborado um esquema de lavagem de capitais para adquirir a distribuidora Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda. e proteger os imóveis do grupo criminoso, ocultando-os em fundos de investimento.
Os investigadores alegam que o Banco Genial atuou como uma estrutura financeira fraudulenta, facilitando a ocultação de valores utilizados na compra e mascarando seus reais proprietários. Documentos anexados revelam que o compliance do banco já havia identificado que Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, enfrentava problemas legais com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por fraude, mas mesmo assim, as operações continuaram.
Humberto Arthur Tupinambá, ex-diretor e sócio do Banco Genial, também está no centro da investigação, sendo alvo de mandados de busca e apreensão. Ele é acusado de favorecer líderes do PCC enquanto era responsável pela instituição. A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) destaca conexões entre Tupinambá e membros da facção criminosa, além de operações financeiras que teriam beneficiado o grupo.
Uma das alegações é que o Banco Genial teria concedido empréstimos de mais de R$ 160 milhões a empresas de fachada, criadas com capital mínimo, utilizando a administração de um fundo vinculado a uma usina ligada ao PCC. Esses empréstimos teriam sido feitos com recursos da própria organização criminosa, que circulavam através do fundo Radford. Após a operação, o Banco Genial renunciou à administração do fundo, o que, segundo o Ministério Público, indicaria a natureza dissimulatória das operações.
Mensagens interceptadas também revelaram negociações entre executivos do banco e operadores do esquema criminoso. Além disso, empresas pertencentes aos irmãos de Tupinambá receberam quantias significativas de uma empresa ligada ao PCC. A decisão judicial enfatiza que o Genial assumiu a gestão do fundo, apesar de alertas do seu próprio compliance sobre a situação irregular do proprietário da usina que alimentou o fundo.
O Banco Genial se defendeu afirmando que forneceu todas as informações necessárias ao Ministério Público e que seguiu as normas e regulamentos pertinentes na época das operações. O banco também destacou que, após a deflagração da operação, tomou medidas de governança e controle, como a abertura de um processo interno e a revisão de suas operações de crédito, além de ter afastado o então diretor envolvido. O banco se colocou à disposição para colaborar com as investigações e prestar esclarecimentos adicionais, reafirmando sua postura de transparência com as autoridades competentes.
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