Morre Luiz Gutemberg, ícone do jornalismo de Brasília, aos 89 anos

Jornalismo de Brasília perde Luiz Gutemberg aos 89 anos

Luiz Gutemberg, uma figura icônica do jornalismo de Brasília, faleceu no dia 16 de agosto de 2023, aos 89 anos, devido a complicações de pneumonia. Nascido em Maceió, Gutemberg dedicou sua vida à imprensa brasileira, se destacando em diversos veículos e deixando um legado significativo na capital do país. Sua carreira começou no fim da década de 1950, no Jornal do Brasil, durante uma fase de transformação sob a direção de Odylo Costa Filho. A partir de então, ele passou por importantes instituições, incluindo a revista Veja e a Rede Bandeirantes, antes de se firmar como um líder no Jornal de Brasília.

No Jornal de Brasília, onde chegou a ser diretor, Gutemberg se destacou por sua capacidade de inovar a cobertura jornalística. Ele reuniu uma equipe de profissionais renomados nas áreas política e econômica, e sua habilidade em criar uma primeira página atraente e em sugerir pautas relevantes o tornaram especialmente respeitado entre colegas e leitores. Ricardo Nobre, editor-chefe da versão impressa do jornal, destacou sua importância e inovação, mencionando que Gutemberg foi um “grande inovador” que deixou uma marca indelével no jornalismo local e nacional.

Ao retornar ao Jornal de Brasília em 1997, Gutemberg implementou ideias revolucionárias para a época, propondo uma redação circular que favorecia a interação e a colaboração entre os jornalistas. Cláudio Tourinho, que trabalhou com ele, lembra que Gutemberg tinha uma visão progressista, buscando experimentar e recriar modelos jornalísticos que estavam sendo testados em outros lugares do mundo. Ele também trouxe para a primeira página o conceito italiano de “pastone”, onde textos assinados discutiam os principais assuntos do dia, uma abordagem que transformou a dinâmica da redação.

Além de seu trabalho no jornalismo, Gutemberg teve uma relação profunda com a política brasileira. Ele se tornou biógrafo de Ulysses Guimarães, um dos principais nomes da redemocratização, publicando em 1994 a obra “Moisés, codinome Ulysses Guimarães”. Sua atuação não se limitou à biografia; ele participou de debates e programas que discutiam a história política do Brasil, contribuindo para a memória parlamentar do país.

Gutemberg também se destacou como escritor, transitando entre a literatura e o jornalismo. Ele produziu romances, peças teatrais e outras obras que refletem sua experiência e visão de mundo. Uma de suas obras notáveis é “O Anjo Americano”, que retrata a relação entre Maceió e o Rio de Janeiro. Sua produção literária foi reconhecida em Brasília, onde suas peças foram apresentadas em espaços culturais, como o Espaço Cultural Renato Russo.

Em conclusão, Luiz Gutemberg deixou um legado profundo e multifacetado, marcado pela inovação no jornalismo, pela biografia política e pela literatura. Sua trajetória é um testemunho do impacto que um jornalista pode ter na formação da opinião pública e na cultura de um país. Sua memória perdurará nas páginas que escreveu, nas histórias que ajudou a contar e na inspiração que deixou para as futuras gerações de jornalistas.

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