Mulher negra faz história ao receber licença para cultivar cannabis medicinal

Mulher negra faz história ao receber licença para cultivar cannabis medicinal

Marilene Esperança Conquista Autorização para Cultivo de Cannabis Medicinal no Brasil

Marilene Esperança, uma figura emblemática na luta pela cannabis medicinal no Brasil, acaba de receber uma autorização oficial para o cultivo legal da planta. Presidente e fundadora da Associação Brasileira de Acesso à Cannabis Medicinal do Estado do Rio de Janeiro (Abra Rio), ela compartilhou essa conquista histórica em entrevista ao programa "Conversa Bem Viver", da Rádio Brasil de Fato.

"Sou uma mulher negra, periférica, e enfrentei muitas dificuldades. Hoje, sou a única mulher negra à frente de uma associação de cannabis no Brasil com permissão para cultivar maconha para fins medicinais", declarou Marilene, refletindo sobre sua trajetória e expressando sua esperança de que um dia muitas outras mulheres negras ocupem espaços semelhantes.

A motivação de Marilene para buscar o tratamento com óleo de canabidiol começou com a condição de seu filho, Lucas, diagnosticado aos quatro anos com Síndrome de Rasmussen. Ele enfrentava convulsões severas, chegando a ter episódios por 18 dias consecutivos, o que afetou gravemente sua capacidade de movimento e fala. O médico que acompanhava Lucas sugeriu o uso do óleo de canabidiol, mas Marilene logo se deparou com dois grandes obstáculos: o alto custo e a ilegalidade do tratamento na época.

"O tratamento era inviável financeiramente, custando cerca de R$ 5 mil mensais, enquanto eu vivia de salário mínimo", relembra Marilene. A virada na sua história ocorreu quando ela encontrou a Abrace Esperança, uma associação sem fins lucrativos que apoia o uso medicinal da cannabis. "Foi aí que meu preconceito se dissipou. Aprendi que a maconha é uma planta com muitos benefícios terapêuticos. O óleo transformou a vida do meu filho. Em 15 dias, ele já estava sustentando o pescoço e, após um mês, suas crises estavam controladas", disse.

Atualmente, a Abra Rio, sob a liderança de Marilene, oferece apoio a cerca de 4.500 famílias em 17 estados brasileiros e no Distrito Federal. Para ela, o uso da cannabis medicinal representa uma libertação. "Meu filho não usa mais anticonvulsivantes, apenas cannabis. Ele recuperou habilidades motoras e cognitivas e pôde voltar à escola", ressalta.

Marilene Esperança enfatiza a importância de valorizar as plantas medicinais disponíveis em nossa natureza. "Devemos nos afastar da medicalização excessiva e buscar alternativas na nossa terra, no nosso ar. A natureza oferece muitos recursos para o tratamento", conclui.

Essa conquista não apenas representa um avanço pessoal para Marilene, mas também simboliza um passo importante na luta pelo reconhecimento e acesso à cannabis medicinal no Brasil.

Fonte: Link original

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