Iniciativa Brasileira Araticum é Reconhecida pela ONU por Restauração do Cerrado
A Organização das Nações Unidas (ONU) premiou, nesta quarta-feira (26), a iniciativa brasileira Araticum como uma das três melhores práticas mundiais em restauração de ecossistemas degradados. O reconhecimento foi feito durante a COP17, conferência dedicada ao combate à desertificação, que ocorre na Mongólia.
O programa Araticum, que visa a conservação do cerrado, foi selecionado entre diversas iniciativas globais, destacando-se ao lado de projetos na região do Sahel, na África, e na Arábia Saudita. Todas essas áreas enfrentam desafios semelhantes, como a seca e os impactos das mudanças climáticas.
Um Passo Importante na Restauração do Cerrado
Inger Andersen, diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), destacou a importância de investir em terras saudáveis como uma estratégia crucial para enfrentar as ameaças ambientais atuais. Segundo ela, as iniciativas premiadas demonstram que a restauração de ecossistemas gera benefícios tangíveis, como segurança alimentar, criação de empregos e maior resiliência para milhões de pessoas.
O cerrado brasileiro, que já perdeu mais de 50% de sua vegetação nativa devido à conversão de terras, é vital para a biodiversidade, a produção de alimentos e a regulação hídrica. A Araticum, criada em 2020, monitora 27 mil hectares do bioma e busca recuperar 2 milhões de hectares até 2030, com ações que incluem regeneração natural e sistemas agroflorestais.
Uma Rede de Colaboração e Empoderamento
A Araticum é composta por 180 organizações, incluindo representantes de comunidades indígenas, quilombolas e agricultores, além de pesquisadores e instituições governamentais e privadas. Fabrícia Santarém, coordenadora da iniciativa, ressaltou que esse reconhecimento transforma povos e comunidades tradicionais em protagonistas na preservação do cerrado.
Carol Sacramento, secretária-executiva da Araticum, enfatizou que a visibilidade gerada pelo prêmio pode impulsionar a criação de políticas públicas e investimentos necessários para a restauração. “A restauração ecossistêmica é uma das ferramentas mais eficazes para garantir segurança hídrica e reduzir desigualdades sociais”, afirmou.
O Papel Crucial do Cerrado
O cerrado desempenha um papel fundamental na regulação hídrica das principais bacias hidrográficas do Brasil e no sequestro de carbono. No entanto, a Embrapa alerta que a fragmentação do solo já reduziu a vegetação nativa em 50%. Daniel Vieira, pesquisador da Embrapa, destacou que restaurar o cerrado vai além do plantio, envolvendo a recomposição dos serviços ecossistêmicos e a geração de trabalho digno para as comunidades locais.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, declarou que o prêmio é uma prova de que o Brasil está reconstruindo uma política ambiental que harmoniza a conservação da biodiversidade com o desenvolvimento sustentável.
Com este reconhecimento, a Araticum se coloca como um exemplo a ser seguido, não apenas no Brasil, mas no mundo todo, mostrando que a restauração ambiental é uma prioridade urgente e possível.
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