Venezuelanos no Brasil e Latinos Indocumentados: Desafios e Realidades

venezuelanos no Brasil e latinos indocumentados nos Estados Unidos – Jornal da USP

A pesquisa desenvolvida no âmbito do programa de pós-graduação em educação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, iniciada em 2022, aborda a complexa temática da migração de venezuelanos para o Brasil, um fenômeno que se intensificou a partir de 2016. O objetivo central é compreender o significado de ser migrante ou refugiado para os venezuelanos no Brasil, utilizando uma abordagem decolonial que valoriza a subjetividade e as narrativas pessoais dos participantes. Essa perspectiva contrasta com abordagens tradicionais que tratam a pesquisa de forma neutra e os sujeitos como meros dados estatísticos.

A metodologia adotada combina estudos de narrativas autobiográficas e etnografia, permitindo uma interação rica entre o pesquisador e os participantes. Em 2025, a pesquisa de campo foi realizada no abrigo humanitário Rondon 1, em Boa Vista, Roraima, o maior abrigo da América Latina, que abrigava 2.300 pessoas. As conversas foram mediadas por questões norteadoras, destacando a experiência pessoal dos migrantes, em um formato que se distancia de entrevistas formais, promovendo um diálogo dinâmico e reflexivo.

As questões centrais da pesquisa foram: “Quais experiências marcaram a minha vida na Venezuela e no Brasil?”, “O que essas experiências fizeram comigo?” e “O que faço agora com o que isso me fez?”. A partir das narrativas coletadas, foram sistematizados oito eixos temáticos que refletem as vivências dos migrantes, incluindo aspectos como a escassez, trajetórias de migração, experiências educativas, e questões de gênero.

A pesquisa revela que a vida dos venezuelanos no Brasil transcende o espaço físico, situando-se em um “entre-lugar” cultural, onde as raízes venezuelanas se entrelaçam com a nova realidade brasileira. Essa existência é caracterizada por um “transmovimento migratório” contínuo, que não se limita à travessia de fronteiras, mas se estende às interações cotidianas e à adaptação cultural. Os migrantes compartilham suas histórias e desafios, formando uma nova cultura que emerge da intersecção entre suas origens e o contexto de acolhimento.

Além disso, a pesquisa também se expandiu para o contexto dos Estados Unidos, onde o autor realizou um doutorado sanduíche na Universidade de Stanford. Nesse ambiente, o foco foi a integração de imigrantes latinos, explorando como fatores como grupos de referência e a língua desempenham papéis cruciais na adaptação cultural e na construção de uma cidadania ativa, mesmo em situações de status migratório incerto.

A pesquisa destaca a importância da educação como prática de liberdade e a necessidade de articular o campo educacional às lutas sociais, promovendo uma consciência crítica sobre direitos e participação política. Ao final, a investigação não apenas documenta a experiência dos migrantes, mas também propõe um diálogo contínuo sobre suas realidades e desafios, reconhecendo que a pesquisa é um processo em constante evolução. O estudo é um convite à reflexão sobre as complexidades da migração e as narrativas que a compõem, ressaltando a importância das experiências individuais na construção do conhecimento social.

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