Debates sobre Teatro Político: Perspectivas no Brasil e no Mundo

Ciclo traz debates sobre o teatro político no Brasil e no mundo – Jornal da USP

A partir desta quarta-feira, 8 de maio, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP dará início ao Ciclo de Encontros sobre Teatro Político, que se estenderá até 21 de maio. O evento, que conta com palestras presenciais e online, visa discutir a relevância do teatro politicamente engajado, abordando questões sociais e políticas através de uma perspectiva crítica.

A palestra inaugural, proferida pelo professor Alexandre Villibor Flory, da Universidade Estadual de Maringá, focará na peça “Hoppla, Estamos Vivos!” de Ernst Toller e Erwin Piscator, que estreou em 1927 na República de Weimar. Flory contextualizará a obra como um reflexo das tensões sociais e políticas na Alemanha do pós-Primeira Guerra Mundial, destacando a alienação do protagonista, Karl Thomas, que simboliza a inação diante das crises sociais que culminariam na ascensão do nazismo.

No dia seguinte, o professor Fernando Bustamente abordará o Teatro Épico nos Estados Unidos, discutindo as contradições do teatro operário dos anos 1930, incluindo a sua institucionalização no Federal Theatre Project, um programa governamental que buscava apoiar produções teatrais durante a Grande Depressão. Sua análise se concentrará na peça “O Caso de Clyde Griffiths”, de Piscator, e nos desafios de unir a mediação social à profundidade psicológica nas encenações.

Outros temas relevantes também serão explorados no ciclo. A professora Maria Sílvia Betti falará sobre dramaturgos americanos do século 20 que abordaram a opressão e a alienação na sociedade capitalista. A palestra de Vinícius Marques Pastorelli, programada para 16 de abril, focará no teatro de Bertolt Brecht e sua relação com o cabaré, destacando como Brecht incorporou elementos desse gênero em suas obras.

A temática do teatro negro será abordada em duas palestras. A professora Eurídice Figueiredo discutirá a obra de Aimé Césaire, explorando como suas peças refletem as lutas de resistência contra a colonização e os desafios pós-independência em países como o Haiti e o Congo. O pesquisador Guilherme Diniz apresentará uma análise das teatralidades e dramaturgias negras no Brasil, enfatizando como elas oferecem novas perspectivas para o teatro político contemporâneo, abordando questões de raça e colonialidade.

Patrícia Freitas, pós-doutoranda pela USP, discutirá o Teatro Campesino do Peru, fundado por Victor Zavala Cataño, que se destacou entre 1970 e 1987. Sua apresentação abordará as inovações cênicas do grupo e sua conexão com a luta social, propondo uma reavaliação da historiografia teatral que frequentemente ignora esses importantes movimentos.

O professor Sérgio de Carvalho, fundador da Companhia do Latão, discutirá sua experiência no teatro político em São Paulo, examinando como a companhia se engajou com movimentos sociais e explorou formas de dramaturgia no contexto contemporâneo.

O Ciclo de Encontros também incluirá palestras sobre a história do teatro político na França e no Brasil, refletindo sobre a evolução desse gênero e sua importância na formação da consciência crítica da sociedade. O evento é gratuito e não requer inscrição, incentivando a participação de todos os interessados na temática.

Fonte: Link original

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