Eleições 2026: A Luta dos Entregadores pelo Voto Trabalhista

Câmara deve votar em maio PEC que acaba com a escala 6x1, segundo Hugo Motta (Republicanos-PB)

O debate eleitoral se intensifica em torno de dois projetos centrais relacionados ao trabalho no Brasil: o fim da escala de trabalho 6×1 e a regulamentação das profissões de entregadores e motoristas por aplicativo. Nesse contexto, emerge a questão sobre o papel dos sindicatos e o que a população pode esperar dos candidatos que se alinham às pautas trabalhistas nas eleições de 2026.

No podcast “Três por Quatro”, o cientista político Paulo Roberto de Souza e o ex-presidente do PT, José Genoino, discutem essas questões. Souza ressalta que o campo progressista enfrenta dificuldades em apresentar novas lideranças que consigam dialogar com as transformações no mundo do trabalho. Ele argumenta que a adaptação às mudanças tem sido prejudicada por uma hegemonia do individualismo promovida pelo neoliberalismo, que se consolidou ao longo das últimas quatro décadas. Essa situação gera uma incapacidade de compreender a nova realidade da classe trabalhadora, que se tornou mais heterogênea e diversificada. Souza observa que, embora haja uma manutenção do apoio histórico ao PT entre faixas etárias mais velhas, a juventude brasileira está cada vez mais atraída por lógicas individualistas e pela extrema direita, como evidenciam as pesquisas de intenção de voto.

Genoino concorda com a análise de Souza, enfatizando que o PT ainda não conseguiu entender a mudança no perfil dos trabalhadores contemporâneos. Ele aponta que a reestruturação capitalista no Brasil ocorreu de forma conservadora e autoritária, exacerbando as contradições sociais. Essa transformação não foi resultado de um pacto social, mas sim de um período de dissenso, especialmente após o golpe de 2016 e as reformas neoliberais que levaram ao enfraquecimento da legislação trabalhista, ao surgimento do trabalho intermitente, à uberização e à pejotização.

O ex-presidente do PT critica a falta de preparação dos sindicatos para enfrentar essas mudanças e destaca a importância do trabalho de base. Ele argumenta que a nova classe trabalhadora, composta por trabalhadores informais e uberizados, não tem sido adequadamente representada. Genoino critica a abordagem do governo, que tenta caracterizar esses trabalhadores como empreendedores, ignorando a presença de um patrão invisível por trás do trabalho. Ele defende que é essencial reconhecer que esses trabalhadores, embora não estejam sob a CLT, são, na verdade, assalariados e merecem direitos.

Para Genoino, é fundamental revisar a compreensão do que significa ser trabalhador na atualidade. Ele propõe que se deve legalizar a situação desses trabalhadores de modo a garantir direitos, sem necessariamente reintegrá-los à CLT, mas garantindo que sejam reconhecidos como portadores de direitos. Ele sugere uma nova abordagem política que concilie os interesses da nova classe trabalhadora com os da classe trabalhadora tradicional, abrangendo todos aqueles que vivem do seu trabalho sem explorar os outros.

Em suma, os debates sobre o trabalho no Brasil visam não apenas a adaptação às novas realidades laborais, mas também a reestruturação da representação sindical e política, garantindo que todos os trabalhadores, independentemente de sua forma de contratação, sejam reconhecidos e protegidos. O podcast “Três por Quatro” oferece uma análise profunda e necessária sobre esses temas, que se tornarão cada vez mais relevantes nas próximas eleições.

Fonte: Link original

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