Viver em um País em Guerra: A Realidade de uma Brasileira no Líbano
Em meio ao caos e à incerteza, a brasileira Amanda Kaddissi compartilha sua experiência de vida em Ballouneh, uma cidade a cerca de 18 km ao norte de Beirute. Morando em uma região que, apesar de mais calma em comparação ao sul do Líbano, sente as repercussões dos ataques israelenses, ela descreve a luta diária da população local.
A líder do grupo Mulheres do Brasil no Líbano destaca a solidariedade entre os habitantes, que enfrentam uma crise sem precedentes. "A maioria das pessoas está desempregada e não consegue arcar com os custos de alimentação e moradia. Os preços dobraram e há escassez de medicamentos", afirma Amanda. Essa situação levou a um esforço coletivo de apoio, pois a incerteza sobre a duração do conflito afeta a saúde mental de todos. "A insegurança é constante, e não conseguimos dormir uma noite inteira", acrescenta.
Desde o início dos bombardeios israelenses em 2 de março, o Líbano contabiliza 2.496 mortos e quase 8 mil feridos. Aproximadamente um milhão de pessoas, ou 20% da população, foram forçadas a deixar suas casas. Mesmo com um cessar-fogo anunciado, os ataques continuam a ocorrer diariamente, complicando ainda mais a vida dos civis.
Amanda critica a trégua negociada entre os EUA e o Irã, descrevendo-a como "apenas palavras bonitas". Ela relata que, nas últimas horas, moradores de 16 cidades do sul do Líbano foram novamente orientados a evacuar, sem saber para onde ir. Muitos estão agora acampando em condições precárias no centro de Beirute.
Diante dessa realidade, a possibilidade de retornar ao Brasil se torna uma alternativa para muitos, incluindo Amanda. "É cansativo recomeçar, mas quem permanece aqui o faz porque ainda possui algo, como um imóvel. Muitos consideram voltar ao Brasil", revela. Ela ainda destaca que, embora viva em uma área relativamente segura, a sensação de segurança é ilusória. "Tenho um filho adolescente que deseja voltar ao Brasil", completa.
A luta pela sobrevivência e a busca por um futuro melhor continuam a ser o foco da população libanesa, que enfrenta desafios imensos em meio ao conflito.
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