Denúncias contra governador de Minas Gerais: exploração do trabalho e práticas abusivas em crédito consignado
Nesta terça-feira (28), o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou duas denúncias que podem afetar profundamente a administração do governador de Minas Gerais, Romeu Zema. As representações, que já foram enviadas à Procuradoria-Geral da República e ao Ministério Público do Trabalho, abordam questões críticas da economia local, incluindo a exploração do trabalho e a manipulação financeira que impacta aposentados e beneficiários de programas sociais.
Condições análogas à escravidão na logística do Grupo Zema
Uma das denúncias destaca a grave situação de 22 motoristas que teriam sido submetidos a condições análogas à escravidão durante o trabalho no centro de distribuição do Grupo Zema, em Araxá (MG). Segundo o documento, as fiscalizações revelaram jornadas de trabalho exaustivas, que chegavam a 19 horas diárias. Essa realidade foi classificada como degradante, levando a empresa responsável a ser incluída na chamada “lista suja”, que reúne empregadores que expõem trabalhadores a esse tipo de condição.
A denúncia enfatiza que a responsabilidade pela situação não deve se restringir apenas à empresa terceirizada. Há indícios de que os motoristas estavam diretamente inseridos nas operações do Grupo Zema, com controle rigoroso sobre suas atividades. Por exemplo, os trabalhadores só podiam deixar o local após a assinatura de um controle de viagem por um funcionário da empresa.
Preocupações com crédito consignado e aposentados
A segunda denúncia foca na Zema Financeira, ligada ao grupo familiar do governador, e sua prática de oferecer crédito consignado a aposentados e beneficiários de programas sociais. A representação alerta que os empréstimos são descontados diretamente da folha de pagamento, comprometendo a renda alimentar desses indivíduos.
O documento destaca as vulnerabilidades enfrentadas por esse público, como a possibilidade de superendividamento e práticas abusivas nas contratações. Além disso, é levantada a preocupação com a portabilidade de crédito, que pode ser usada como uma forma de assédio comercial, resultando na perpetuação do endividamento.
As denúncias pedem uma investigação aprofundada sobre possíveis abusos, além da coleta de dados junto a instituições como o Banco Central e o INSS, para analisar contratos, taxas de juros e volumes de reclamações.
Um cenário preocupante para trabalhadores e aposentados
Embora as denúncias sejam tratadas de forma independente, ambas revelam um padrão preocupante de exploração e vulnerabilidade entre as populações afetadas. Enquanto os motoristas enfrentam jornadas desgastantes, aposentados e beneficiários de programas sociais lidam com a pressão financeira de empréstimos comprometedores.
As representações solicitam a atuação conjunta de órgãos de controle, com vistas à responsabilização das empresas envolvidas e à revisão de contratos, além de possíveis reparações coletivas. Até o momento, não houve posicionamento oficial do governo de Minas Gerais ou das empresas citadas sobre as acusações.
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