Relatório da MSF Denuncia Uso da Água como Arma em Gaza
Nesta terça-feira, 28 de março, a organização não governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) divulgou um relatório alarmante que acusa Israel de utilizar o acesso à água como uma ferramenta de punição contra a população de Gaza. A MSF descreve essa estratégia como parte de uma "campanha de punição coletiva" que contribui para o genocídio dos palestinos.
O documento, intitulado "A Água como Arma: a Destruição e a Privação de Água e Saneamento por parte de Israel em Gaza", destaca a destruição de infraestruturas e as barreiras ao abastecimento de água. Segundo a MSF, a privação intencional de água é um elemento central na crise humanitária enfrentada pelos habitantes da região.
A organização afirma que a instrumentalização da água por parte das autoridades israelenses é parte de um padrão sistemático e cumulativo. "Essa situação se agrava com assassinatos diretos de civis, destruição de hospitais e demolição de residências, resultando em deslocamentos em massa", disse Claire San Filippo, responsável por emergências da MSF.
As acusações de genocídio têm sido rejeitadas por Israel, que continua a se defender das críticas enquanto a violência persiste na Faixa de Gaza, mesmo após a implementação de um cessar-fogo em outubro de 2023. Dados da ONU, da União Europeia e do Banco Mundial indicam que cerca de 90% das infraestruturas de água e saneamento em Gaza foram danificadas ou destruídas, afetando gravemente a população local.
A MSF registrou que o exército israelense atirou em caminhões-cisterna claramente identificados e destruiu poços que eram fontes vitais para dezenas de milhares de pessoas. Com a escassez de água, a organização tem enfrentado grandes dificuldades para atender as necessidades da população. Em março de 2026, a MSF forneceu mais de 5,3 milhões de litros de água por dia, suficientes para atender cerca de 407 mil pessoas, mas as ordens de deslocamento do exército israelense dificultaram o acesso às áreas necessitadas.
Além disso, a MSF relatou que um terço dos pedidos de ajuda para a introdução de equipamentos essenciais, como unidades de dessalinização e produtos de tratamento de água, foram negados ou ignorados. Esta situação tem consequências severas para a saúde e a dignidade da população, especialmente para mulheres e pessoas com deficiência.
A falta de acesso à água e a condições de higiene precárias têm potencializado a propagação de doenças, como infecções respiratórias e doenças diarreicas. A MSF fez um apelo urgente às autoridades israelenses para restaurar o acesso à água em níveis adequados e pediu que seus aliados pressionem para a remoção dos obstáculos à ajuda humanitária em Gaza.
Com a situação se tornando cada vez mais crítica, a comunidade internacional observa atentamente os desdobramentos dessa crise humanitária.
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