A China Enfrenta o Desafio do Envelhecimento Populacional com Inovadoras Cantinas Comunitárias
Com mais de 320 milhões de cidadãos com 60 anos ou mais, representando 23% da população total, a China se depara com um acelerado processo de envelhecimento. Para atender essa demanda crescente, o governo chinês lançou o programa Bem Viver, que visa construir uma rede de serviços comunitários focados na terceira idade, com ênfase nas cantinas como um dos pilares centrais.
Um Modelo que Ganha Força
Iniciado como projeto piloto em cidades como Xangai, Hangzhou e Pequim na década de 2010, o programa ganhou escala nacional em 2022, quando foi integrado ao 14º Plano Quinquenal. Atualmente, a China conta com quase 80 mil pontos de serviço de alimentação para idosos, que variam entre cantinas comunitárias completas e locais de distribuição de refeições prontas.
Essas cantinas oferecem pratos com baixo teor de óleo, sal e açúcar, adaptados às necessidades nutricionais dos idosos. Os preços são ajustados de acordo com a localidade e o perfil do usuário: os idosos se beneficiam de subsídios governamentais que tornam as refeições mais acessíveis, enquanto outros clientes pagam o preço de mercado.
Apoio a Quem Mais Precisa
Em muitos municípios, cada refeição recebe uma ajuda direta do governo que varia entre 3 a 5 yuans (aproximadamente R$ 2 a R$ 4). Aqueles em situação financeira delicada, como pessoas com deficiência ou idosos que perderam filhos únicos, podem pagar apenas 2 yuans (cerca de R$ 1,50) ou até mesmo comer gratuitamente, dependendo da localidade.
Esse modelo também se abre para a comunidade em geral, incluindo entregadores e trabalhadores locais, uma estratégia que visa garantir a viabilidade econômica das cantinas, uma vez que os recursos públicos não cobrem todos os custos.
Um Exemplo Inspirador em Pequim
Um dos casos mais emblemáticos do programa se encontra na rua Wu Lao Xin Jie, traduzida como “Nossa Rua dos Idosos”, no bairro de Beicaochang, em Pequim. Em apenas 510 metros, a via abriga 12 unidades de serviços voltados para a terceira idade, incluindo uma cantina comunitária, apartamentos, um posto de saúde, uma escola, um salão de beleza e um centro cultural.
O proprietário da cantina, Yang, destaca a importância do controle da cadeia de abastecimento para a eficiência do serviço. A maioria dos insumos é adquirida diretamente em um grande mercado atacadista, reduzindo custos em até 20%. Além disso, um balcão de macarrão funciona nos horários de menor movimento, ajudando a financiar os descontos oferecidos aos idosos.
Um Espaço de Convivência e Bem-Estar
Para a moradora Sang Lanhua, a rua representa muito mais do que serviços. “Em 15 minutos a pé, consigo comprar alimentos frescos, fazer uma refeição quente, consultar um médico, cortar o cabelo, pegar um livro emprestado ou encontrar amigos para um chá. Não é só comodidade. É tranquilidade”, afirma.
Metas para o Futuro
O 15º Plano Quinquenal, aprovado no início de 2026, estabelece metas ambiciosas, como garantir que 70% das comunidades urbanas e rurais tenham acesso a serviços de cuidado para idosos até 2030, além de assegurar que cada idoso tenha refeições e assistência médica a até 15 minutos de casa.
Esse modelo de cantinas comunitárias, testado e implementado em diversas localidades, agora busca consolidar e expandir suas diretrizes, com objetivos claros e mensuráveis. Para Sang Lanhua, a experiência da rua Wu Lao Xin Jie é um reflexo do que o governo espera oferecer em todo o país: “Para nós, idosos, é um lugar para viver bem. O que temos aqui, todo idoso na China merece”, conclui.
Conclusão
Com iniciativas como o programa Bem Viver, a China está se preparando para enfrentar os desafios do envelhecimento populacional, promovendo não apenas a alimentação, mas também a qualidade de vida e a inclusão social de seus cidadãos mais velhos.
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