Ministério Público Investiga Descarte de Livros na Biblioteca Municipal de Osasco
O Ministério Público de São Paulo iniciou um inquérito nesta terça-feira, 29 de agosto, para investigar o descarte de milhares de livros da Biblioteca Pública Municipal Monteiro Lobato, em Osasco. O material, que inclui obras de autores locais e documentos históricos, foi encontrado em caçambas pela prefeitura, levantando preocupações sobre a preservação do patrimônio público.
Inaugurada em 1963, a biblioteca estava fechada desde 2020 e abriga um acervo rico em história e cultura local. O promotor Rodrigo Nunes Serapião lidera a investigação, que visa esclarecer os danos causados ao patrimônio cultural da cidade.
Após a repercussão do caso, o prefeito Gerson Pessoa (Podemos) se manifestou nas redes sociais, afirmando que houve um erro no transporte dos livros e garantindo que os materiais estão armazenados em almoxarifados. Ele anunciou a abertura de uma sindicância para apurar o ocorrido e prometeu a restauração da biblioteca para o segundo semestre de 2026. “Todo o acervo está seguro e será avaliado por um instituto especializado, com o objetivo de recuperar e reintegrar os materiais ao novo acervo”, afirmou o prefeito.
O movimento Reabre Biblioteca Osasco, liderado por Solange Santana, foi um dos primeiros a reagir ao descarte. Santana, que recebeu informações sobre o ocorrido através de moradores, lamenta a perda histórica e cultural. “A biblioteca tem um significado afetivo para mim. Foi lá que conheci muitos escritores da nossa cidade”, declarou a bibliotecária e educadora.
Desde julho de 2022, o movimento coleta assinaturas para a reabertura da biblioteca e busca diálogo com a gestão municipal. Santana informou que, até o momento, não houve contato formal da prefeitura e que o abaixo-assinado será entregue em breve.
Adicionalmente, um contrato de R$ 1,5 milhão foi assinado pela prefeitura em março deste ano, prevendo reformas na biblioteca, como melhorias na cobertura, elétrica, pintura e acessibilidade, além da criação de um auditório. Este é o segundo contrato referente à reforma; o anterior, assinado em setembro de 2023, prometia conclusão para fevereiro de 2024, mas não foi finalizado.
Organizações como o Movimento em Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Osasco e a Comissão de Bibliotecas Escolares e Públicas do Conselho Regional de Biblioteconomia de São Paulo também exigem esclarecimentos da administração municipal.
O promotor Serapião pediu laudos técnicos, pareceres sanitários e avaliações microbiológicas sobre os livros descartados, além da identificação dos responsáveis pela autorização e execução do descarte. A urgência da investigação se justifica pela necessidade de “evitar a perda de provas e apurar se os bens ainda podem ser recuperados ou inventariados”.
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