Estratégias Eficazes para o Tratamento da Surdez, segundo Especialistas

Como tratar a surdez? Especialistas explicam ao Dr. Kalil

O diagnóstico da perda auditiva é um processo que envolve várias etapas, começando com um exame físico realizado por um especialista, seguido por testes auditivos mais detalhados. No programa CNN Sinais Vitais, o Dr. Roberto Kalil entrevistou o Dr. Rubens Brito, professor associado da FMUSP e coordenador no Hospital Sírio-Libanês, e a fonoaudióloga Paula Junqueira, que abordaram o funcionamento desse diagnóstico e as opções de tratamento disponíveis.

Inicialmente, Dr. Brito destacou a importância de realizar um exame físico para descartar causas simples de perda auditiva, como acúmulo de cera ou perfuração timpânica, condições que são bastante comuns. Após a exclusão dessas possibilidades, o próximo passo essencial é a audiometria, considerada o exame principal para avaliar a audição. Para pacientes que não conseguem realizar a audiometria, como crianças pequenas ou indivíduos com limitações cognitivas, é recomendado o uso do potencial auditivo de tronco encefálico. Esse exame permite identificar o limiar auditivo do paciente e a resposta auditiva em diferentes frequências sem a necessidade de colaboração ativa.

O tratamento da perda auditiva varia de acordo com sua causa. Pacientes com alterações estruturais, como infecções ou problemas na cadeia dos ossículos, podem ser candidatos a cirurgias. Já as perdas auditivas de origem nervosa ou do labirinto geralmente requerem reabilitação com aparelhos de amplificação sonora ou, em casos mais graves, com implante coclear. Dr. Brito enfatizou a importância do diagnóstico precoce, especialmente em crianças, afirmando que a reabilitação deve ser feita o mais rápido possível. Ele criticou a prática de alguns profissionais que esperam o desenvolvimento da fala antes de tomar medidas, ressaltando que a busca por tratamento deve ser ativa desde os primeiros meses de vida, quando crianças com apenas dois ou três meses já podem usar aparelhos auditivos.

A fonoaudióloga Paula Junqueira abordou a relevância do acompanhamento fonoaudiológico após cirurgias auditivas. Em casos simples, como a colocação de tubos em crianças com otite e bom desenvolvimento da linguagem, a reabilitação pode não ser necessária. Contudo, em situações que envolvem implante coclear, o acompanhamento fonoaudiológico se torna essencial. Junqueira explicou que a fonoaudióloga é responsável pela programação do implante coclear, permitindo que o paciente maximize o uso do equipamento e aprenda a perceber os sons de maneira eficaz. O suporte da fonoaudióloga é crucial para ajudar o paciente a se adaptar a essa nova realidade auditiva.

Além disso, em cirurgias que melhoram a audição mas deixam algum grau de perda auditiva, pode ser necessário o uso complementar de aparelho auditivo para garantir uma recuperação auditiva mais completa. O processo de diagnóstico e tratamento da perda auditiva é, portanto, complexo e requer uma abordagem multidisciplinar, envolvendo especialistas em otorrinolaringologia e fonoaudiologia, para oferecer o melhor cuidado possível aos pacientes.

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