Investigações revelam falhas que causaram queda de avião da Voepass

Investigações revelam falhas que causaram queda de avião da Voepass

Relatório da PF Revela Falhas em Aeronave da Voepass que Resultou em Tragédia com 62 Mortes

Um laudo pericial da Polícia Federal (PF) sobre o trágico acidente com um avião da Voepass, que vitimou 62 pessoas em 2024, apontou falhas significativas no sistema de degelo da aeronave. Essas falhas foram registradas em pelo menos outros 16 voos da mesma aeronave em períodos próximos ao acidente, aumentando a preocupação sobre a segurança operacional da companhia aérea.

O comandante do voo, que era um ATR 72-500, chegou a fazer comparações inusitadas ao se referir à aeronave, chamando-a de “Fusquinha”. O laudo, que possui 200 páginas, será apresentado aos familiares das vítimas na sede da PF em São Paulo nesta quinta-feira (6). O acidente ocorreu durante um trajeto de Cascavel (PR) para o Aeroporto de Guarulhos (SP), resultando na queda da aeronave em Vinhedo, interior de São Paulo.

As famílias das vítimas aguardam informações sobre a abertura de um procedimento que pode levar a indiciamentos criminais. Questionada sobre o laudo, a PF confirmou que o relatório seria divulgado hoje, mas não especificou se haverá indiciamentos.

Análise Detalhada e Alertas Ignorados

O laudo revela que, durante a análise do gravador de dados, foram identificados diversos voos com problemas no sistema de degelo, incluindo voos realizados apenas dois dias antes da tragédia. Em um desses voos, a tripulação executou várias tentativas de ativar e desativar o sistema, indicando uma possível tentativa de reset. No entanto, nenhuma das falhas havia sido registrada no livro técnico da aeronave, o que poderia ter evitado que ela continuasse operando nas condições inadequadas.

Os peritos também descobriram uma ordem de serviço que registrava a remoção de uma válvula do sistema de degelo, sem a devida documentação sobre a reinstalação. A análise do gravador de voz revelou conversas entre o comandante e o co-piloto, onde o comandante admitia ter enfrentado condições de gelo em um voo anterior, apontando para a necessidade de recusar o despacho da aeronave para o voo fatídico.

Decisões Inadequadas e Falta de Registro de Problemas

O relatório indica que a aeronave não deveria ter decolado, já que foi liberada para voar mesmo com o limpador de para-brisa do comandante fora de operação, em desrespeito às diretrizes de segurança. O laudo destaca que a tripulação não tomou as medidas adequadas diante dos alertas de falha no sistema de degelo, o que contribuiu para a perda de controle da aeronave.

Além disso, as gravações mostram que o comandante minimizava os problemas, fazendo comentários que indicavam desprezo pela situação crítica. Essa atitude é motivo de preocupação, especialmente entre os familiares das vítimas, que esperam justiça após a tragédia.

Expectativas de Indiciamento e Respostas da Voepass

A expectativa é que a Polícia Federal indiciará cerca de dez pessoas, incluindo responsáveis pela empresa aérea e aqueles envolvidos na operação e manutenção da aeronave. O advogado Leonardo Amarante, que representa os familiares, acredita que o indiciamento pode ser um passo importante para responsabilizar os envolvidos.

A Voepass, por sua vez, emitiu uma nota afirmando que a tripulação era experiente e devidamente certificada, e que a companhia nunca havia enfrentado um incidente dessa gravidade em mais de 30 anos de operações. Desde o acidente, a empresa expressou solidariedade às famílias das vítimas e continua acompanhando a situação.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) também divulgou um relatório que confirma que a aeronave não deveria ter decolado, apontando 19 fatores que contribuíram para a tragédia, incluindo falhas técnicas e uma cultura organizacional que priorizava operações em detrimento da segurança.

As famílias das vítimas, representadas pela presidente da Associação dos Familiares, Fátima Albuquerque, expressaram sua indignação com a aparente falta de seriedade por parte da tripulação durante os voos. O caso, conforme apontado pelos especialistas, pode se tornar um marco nas investigações de acidentes aéreos no Brasil, onde a responsabilização por falhas operacionais raramente resulta em condenações.

Fonte: Link original

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