Taxas de DIs sobem após decisão do Copom e fatores externos

Taxas de DIs sobem após decisão do Copom e fatores externos

Taxas dos DIs sobem após redução da Selic pelo Copom; mercado atento ao cenário internacional

SÃO PAULO – As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) encerraram a quinta-feira em alta, refletindo a recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que anunciou a redução da Selic em 25 pontos-base, agora fixada em 14,00% ao ano. Entretanto, o Copom não se comprometeu com novos cortes na próxima reunião, marcada para setembro.

Esse movimento nas taxas locais se deu em meio a um cenário global tenso, impulsionado pela elevação dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo Brent. O clima de apreensão em relação ao Oriente Médio continua a impactar os mercados.

Ao final do dia, a taxa do DI para janeiro de 2028 alcançou 13,865%, com um aumento de 7 pontos-base em relação ao ajuste anterior, que era de 13,794%. Já a taxa para janeiro de 2035 subiu 15 pontos-base, atingindo 14,465%, ante o ajuste de 14,317%.

O Copom, ao anunciar a redução da Selic, optou por não incluir previsões sobre cortes futuros, sinalizando que continuará a monitorar o cenário econômico antes de tomar novas decisões. A retirada de uma seção do comunicado anterior, que falava sobre "trajetórias alternativas" para a inflação, foi interpretada como uma mudança na abordagem do Banco Central, que agora parece menos propenso a cortes agressivos.

Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, comentou que a nova postura do Copom indica uma hesitação em continuar os cortes de juros, afirmando que a instituição "vai cortar até onde der". Essa avaliação foi corroborada por outros analistas, que consideraram o comunicado mais neutro, permitindo uma leve alta nas taxas pela manhã.

Adicionalmente, o mercado está atento a fatores externos. Os rendimentos dos Treasuries dos EUA apresentaram uma alta significativa, enquanto o petróleo Brent também registrou valorização. Um dos pontos de preocupação foi uma matéria do Financial Times, que relatou que Kevin Warsh, presidente do Fed, pretende manter uma política monetária "enxuta", mesmo diante das críticas do mercado após a manutenção das taxas de juros na faixa de 3,50% a 3,75%.

No cenário geopolítico, as negociações entre Irã e Omã para um possível acordo de paz estão em andamento, mas a falta de comentários dos EUA sobre a proposta gera incertezas. O Irã, por sua vez, alertou sobre possíveis retaliações a qualquer ataque americano em seu território, aumentando a tensão na região.

No fechamento do dia, o rendimento do Treasury de dez anos, referência global para investimentos, subia 6 pontos-base, alcançando 4,676%. Em um leilão robusto realizado na manhã de quinta-feira, o Tesouro brasileiro vendeu 15,175 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTNs) e 2,5 milhões de Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-Fs), o que também contribuiu para sustentar as taxas dos DIs de prazo mais longo.

As movimentações no mercado financeiro continuam a ser monitoradas de perto, à medida que investidores buscam compreender as implicações das decisões do Copom e dos eventos internacionais.

Fonte: Link original

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