Polícia Federal Indicia 16 Pessoas por Queda de Avião da Voepass em Vinhedo
A Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito sobre o trágico acidente do voo 2283 da Voepass, que resultou na morte de 62 pessoas em agosto de 2024, na cidade de Vinhedo, São Paulo. A investigação levou ao indiciamento de 16 indivíduos, entre funcionários e ex-funcionários da companhia aérea, evidenciando falhas graves nos procedimentos de segurança.
Em uma coletiva realizada na tarde desta quinta-feira (6), o superintendente regional da PF em São Paulo, delegado Rodrigo Luis Sanfurgo de Carvalho, apresentou os principais achados da investigação. As apurações revelaram uma sequência alarmante de erros, desrespeito a protocolos de segurança e negligência em relação a manuais técnicos.
Os indiciados incluem pessoas de diferentes níveis hierárquicos da empresa, o que demonstra que a falha nos protocolos de segurança não foi um erro isolado, mas sim resultado de uma cultura organizacional permissiva que tolerava práticas inadequadas. A PF classificou as ações dos indiciados como um atentado contra a segurança do transporte aéreo, conforme o artigo 261 do Código Penal, o que pode levar a penas de até 24 anos de reclusão, superando a pena máxima prevista para homicídio simples.
O laudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC) identificou a perda de controle da aeronave como a causa do acidente, decorrente do acúmulo de gelo e da falha no sistema de degelo. Além disso, a investigação apontou que procedimentos de emergência não foram seguidos adequadamente pela tripulação.
Os áudios do gravador de voz na cabine revelaram uma situação crítica, onde os pilotos estavam cientes das falhas nos sistemas de segurança, mas optaram por ignorar alertas vitais. Durante o voo, o alerta de falha no sistema de degelo soou repetidamente, mas a equipe de voo não interrompeu a operação, demonstrando uma preocupante normalização do risco.
A falta de ação diante dos alarmes e a omissão na tomada de decisões foram consideradas imperícias técnicas pela PF. O relatório ressaltou que a ausência de registros de falhas nos diários de bordo permitiu que problemas críticos permanecessem ocultos para a equipe de manutenção.
A investigação policial, que se alinha com as descobertas do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), revela uma postura corporativa na Voepass que ignorava diretrizes importantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Vale destacar que indiciamentos por desastres aéreos são raros no Brasil, devido à separação entre as investigações do Cenipa e da Polícia Federal. Historicamente, o único precedente de indiciamento criminal em um acidente aéreo de grande porte ocorreu em 2006, após a colisão entre um Boeing 737 da Gol e um jato executivo Legacy, que resultou na morte de 154 pessoas.
A conclusão do inquérito marca um momento crítico na busca por justiça para as vítimas e suas famílias, ao mesmo tempo em que expõe a necessidade urgente de melhorias nos protocolos de segurança em aviação.
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