Um cirurgião plástico em São Paulo foi condenado a pagar indenização à paciente Shirin Saraeian, que perdeu a visão após uma lipoaspiração e abdominoplastia realizada em 30 de abril de 2021. A decisão da 7ª Vara Cível de São Paulo, proferida no final de julho, apontou negligência e omissão do médico Renato Tatagiba Garcia. A paciente, de origem iraniana e influenciadora digital com quase 200 mil seguidores, escolheu o cirurgião após conhecê-lo nas redes sociais e realizou a cirurgia no Saint Peter Hospital.
Após o procedimento, Shirin apresentou sintomas como tontura e olhos arroxeados, mas o cirurgião não fez uma avaliação adequada, alegando que se tratava de uma situação normal. Ela recebeu alta sem orientações pós-operatórias e sem avaliações clínicas ou laboratoriais. Dois dias após a cirurgia, Shirin começou a perder a visão, inicialmente no olho esquerdo e, posteriormente, no direito. Ao tentar contatar o médico, não obteve respostas satisfatórias e foi orientada a procurar um neurologista, que levantou a hipótese de anemia aguda pós-cirúrgica.
Investigações revelaram que a paciente havia perdido cerca de 60% do sangue durante a cirurgia, resultando em anemia e isquemia do nervo óptico, condição irreversível que levou à cegueira permanente no olho esquerdo e perda significativa da visão no direito. A sentença indicou que, durante uma consulta posterior, o cirurgião limitou-se a examinar o abdômen da paciente, afastando sua responsabilidade pela perda visual.
O hospital foi absolvido na ação judicial, argumentando que a equipe médica não tinha vínculo com a instituição e que apenas alugava o centro cirúrgico. Renato, por sua vez, alegou que havia esclarecido os riscos do procedimento e que a situação era imprevisível. No entanto, a perícia concluiu que a omissão do cirurgião foi crucial para o desfecho do caso, e o juiz destacou que a falta de vigilância permitiu a progressão da anemia até a lesão ocular.
A sentença determinou que Renato Tatagiba pagasse R$ 162,1 mil por danos morais, R$ 65,4 mil por danos materiais e uma pensão mensal vitalícia de três salários mínimos, a ser atualizada conforme o salário mínimo. Em contrapartida, a paciente deverá arcar com as custas processuais e honorários do hospital.
O advogado de Shirin, Paulo Mariano Jr., anunciou que recorrerá da decisão, buscando aumentar o valor da indenização e responsabilizar o hospital pelo ocorrido. Ele argumentou que o valor atual não reflete a gravidade e irreversibilidade dos danos. Por outro lado, a defesa de Renato declarou que discorda da decisão e que irá recorrer ao Tribunal de Justiça de São Paulo, afirmando que a conduta do cirurgião foi correta e que o tribunal deve reavaliar os fatos.
O caso, que gerou grande repercussão, é um exemplo das complexidades e riscos envolvidos em procedimentos cirúrgicos estéticos, além de destacar a importância da responsabilidade profissional na área da saúde. A sentença final ainda pode ser contestada, o que pode levar a novas avaliações sobre a conduta dos envolvidos no caso.
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