Crise no Banco de Brasília: Governadora Critica Politização de Empréstimo de R$ 6,6 Bilhões
A crise financeira que afeta o Banco de Brasília (BRB) segue gerando polêmica e tensões políticas. A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), manifestou descontentamento na última sexta-feira (7) em relação à suposta politização do acordo entre a União e o DF, que visa a liberação de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para ajudar o banco.
Celina não mencionou diretamente nomes, mas suas críticas surgiram após declarações do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Este, na quinta-feira (6), refutou a ideia de que houvesse "inércia" por parte do governo federal nas negociações, afirmando que as pendências sobre o empréstimo são de responsabilidade do governo local.
"Politizar esse tema é um erro, especialmente por parte de qualquer ministro. Temos a responsabilidade com os servidores públicos e outros fatores a considerar. Precisamos de maturidade política para abordar essa questão", destacou a governadora.
Ainda segundo Celina, todas as obrigações do Distrito Federal em relação ao acordo foram cumpridas. "Os prazos são cruciais no mercado financeiro. Não podemos esperar que as coisas aconteçam quando e como as pessoas desejam", reforçou.
Ação no STF e Audiência de Conciliação
A insatisfação do governo do DF com a demora na liberação do empréstimo levou à nova ação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando uma audiência de conciliação que envolva bancos e o governo federal. O relator do caso, ministro Luiz Fux, agendou o encontro para a próxima semana.
Por outro lado, o ministro Durigan expressou o descontentamento das equipes do governo federal com as acusações de inércia. Ele afirmou que a origem dos problemas enfrentados pelo BRB remonta a gestões anteriores e que a União tem colaborado, apesar de não ser a responsável pela situação.
Críticas e Reclamações do DF
Em um ofício enviado ao STF, o governo do DF criticou a União e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por não cumprirem com o acordo firmado em maio. A reclamação destaca que, após mais de dois meses do acordo, ainda não houve propostas ou cronogramas apresentados pela União ou pelo FGC.
A audiência convocada por Fux contará com a presença de representantes do governo do DF, do BRB, da Advocacia-Geral da União, do Ministério da Fazenda, do Banco Central, do FGC e do Ministério Público Federal, além de um representante do Banco do Brasil, que integra o consórcio de bancos que estuda o empréstimo.
A Crise do BRB em Detalhes
A situação do BRB é crítica, resultante de operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões. Em novembro de 2025, a Polícia Federal iniciou a operação Compliance Zero, acusando o banco e o governo do DF de envolvimento em um esquema de fraudes financeiras. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso em abril deste ano, sob a acusação de permitir negócios sem lastro.
O banco estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos adquiridos do Banco Master são fraudulentos ou de difícil recuperação. Para mitigar a crise, o governo do DF busca um empréstimo que ajudaria a cobrir parte desse rombo.
Perspectivas Futuras
O prazo de 180 dias para a execução do plano de capitalização do BRB, apresentado ao Banco Central, expirou sem que as medidas necessárias fossem implementadas. O plano, que inclui a busca por um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões, ainda aguarda aprovação dos principais bancos do país.
O desfecho dessa crise financeira do BRB permanece incerto, mas a necessidade de uma solução urgente é evidente. O governo do DF está determinado a tomar as medidas necessárias para restaurar a saúde financeira do banco e assegurar a confiança dos investidores e da população.
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