Mulher de 62 anos que trabalhou 55 anos sem salário deixa casa em Eusébio em meio a investigação por condições análogas à escravidão
Uma trabalhadora doméstica de 62 anos, que dedicou 55 anos de sua vida ao trabalho sem receber remuneração, deixou a residência na qual vivia com uma família em Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza. A casa está sob investigação por submeter a mulher a condições análogas à escravidão.
De acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), o vínculo empregatício foi encerrado, e a mulher não está mais empregada no local. A defesa da família alega que ela saiu de casa em 27 de julho para passar um tempo com a irmã e outros parentes no interior do estado.
A história da mulher é marcada por uma longa relação com a família, que começou quando ela tinha apenas 7 anos, em 1971. Ao longo de mais de cinco décadas, ela cuidou de crianças e realizou diversas tarefas domésticas, mas nunca recebeu salário de forma regular e não teve acesso à educação formal.
A rotina da trabalhadora começava cedo, por volta das 4h30, com a preparação do café da manhã e a organização das crianças para a escola. Durante o dia, suas atividades incluíam serviços domésticos, preparo de refeições e cuidados com os menores.
A Auditoria-Fiscal do Trabalho estimou que os valores devidos a ela ultrapassam R$ 1,5 milhão, englobando salários, férias, 13º salário, FGTS, horas extras e outras verbas trabalhistas. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o MPT prevê o pagamento de R$ 50 mil em verbas rescisórias e a aquisição de um imóvel para a trabalhadora.
A investigação revelou uma situação de severa dependência econômica e social. Os auditores observaram que a mulher não sabia ler, não possuía conta bancária e tinha poucos vínculos fora do círculo familiar. O caso veio à tona após uma denúncia anônima feita ao Disque 100.
A defesa da família nega as acusações e sustenta que a relação entre eles e a trabalhadora era pautada por convivência, cuidado e afeto, construídos ao longo dos anos. As autoridades competentes continuam a acompanhar o caso, que levanta questionamentos sobre os direitos trabalhistas e a proteção de trabalhadores em situações vulneráveis.
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