Como as Memórias São Armazenadas no Cérebro: Estudo Revela Novos Aspectos da Plasticidade Neural
Um novo estudo da equipe do neurocientista Kazumasa Tanaka, do Okinawa Institute of Science and Technology Graduate University, lança luz sobre a complexidade de como as memórias são armazenadas no cérebro. A pesquisa sugere que, ao aprender algo novo, as conexões entre os neurônios se fortalecem e aumentam fisicamente, formando a base da memória. No entanto, essas conexões são altamente plásticas e mudam significativamente ao longo do tempo.
Tanaka destaca que, se compararmos a disposição dessas conexões no cérebro de um indivíduo nos primeiros dias após a aprendizagem com a mesma disposição dias depois, notamos diferenças marcantes. Essa plasticidade levanta questões sobre como memórias duradouras podem se manter em um sistema que está em constante mudança.
Para investigar essa questão, a equipe de Tanaka realizou um experimento inovador: induziu um estado semelhante à hibernação em camundongos, o que resultou na "eliminação" do estado de mais da metade de suas sinapses. Surpreendentemente, os camundongos conseguiram manter suas memórias, mesmo após essa drástica intervenção.
A hibernação é um fenômeno comum em animais como esquilos, hamsters e ursos, mas o circuito neural que a ativa é encontrado em todos os mamíferos, incluindo espécies que não hibernam na natureza, como os camundongos. Em junho de 2020, um grupo de pesquisadores liderados por Takeshi Sakurai, da Universidade de Tsukuba e colaborador do estudo de Tanaka, desenvolveu uma técnica para ativar artificialmente esse circuito de hibernação. A ativação é feita por meio da estimulação de um grupo específico de neurônios, conhecidos como neurônios Q, localizados em uma região do hipotálamo.
Os resultados desta pesquisa têm implicações significativas para a compreensão da memória e da plasticidade cerebral, podendo abrir novas possibilidades para o tratamento de distúrbios de memória e outras condições neurológicas. A descoberta não apenas desafia a visão tradicional sobre a permanência das memórias, mas também destaca a incrível capacidade do cérebro de se adaptar e mudar.
Compreender esses mecanismos pode transformar a maneira como vemos o aprendizado e a memória, e representa um passo importante no campo da neurociência.
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