Ligue 180: Atendimento cresce 90% em 2026, alarmante aumento

Ligue 180: Atendimento cresce 90% em 2026, alarmante aumento

Aumento de Denúncias de Violência Contra Mulheres: Ligue 180 Registra Crescimento de 90% em 2026

Nos primeiros sete meses de 2026, o canal federal Ligue 180, destinado ao atendimento de denúncias de violência contra mulheres, registrou um aumento impressionante de 90,8% no número de atendimentos em comparação ao mesmo período do ano anterior. Foram contabilizados 1.035.647 atendimentos entre janeiro e julho deste ano, um salto significativo em relação aos 542.737 atendimentos realizados nos sete primeiros meses de 2025.

Esse crescimento acentuado é impulsionado, especialmente, pelo aumento nos pedidos de informação, que saltaram de 361.475 para 872.257, representando um crescimento de 141,3%. Segundo Estela Bezerra, secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, esse aumento não necessariamente indica uma elevação nos índices de violência, mas pode refletir um maior reconhecimento do serviço e uma confiança crescente por parte das mulheres em buscar ajuda.

Os dados acumulados até julho deste ano já equivalem a 95% do total de atendimentos realizados em 2025, que foi de 1.088.460. É importante destacar que uma única ligação pode resultar em múltiplos protocolos, por exemplo, quando se faz um pedido de informação e uma denúncia simultaneamente.

Além dos 872.257 pedidos de informação, o Ligue 180 também recebeu 98.705 denúncias de violência de gênero, um aumento de 15% em relação às 85.811 denúncias do mesmo período do ano anterior. O serviço ainda registrou 63.478 orientações e 1.207 manifestações diversas. Um número expressivo, 462.919 solicitações, correspondem a orientações sobre como acessar a rede de proteção, representando 44,7% do total de atendimentos.

Bezerra observa que essa demanda revela uma "rota crítica" para mulheres que buscam proteção, especialmente em regiões onde faltam delegacias da mulher e serviços especializados. Muitas mulheres recorrem ao Ligue 180 por falta de conhecimento sobre onde encontrar atendimento em seus municípios. "Um dos grandes desafios é estender a rede especializada e articular as políticas de saúde, assistência, educação e segurança pública em localidades com até 100 mil habitantes", destaca a secretária.

Entre os tipos de violência denunciados, a psicológica se destaca com 35.284 registros (35%), seguida pela violência doméstica segundo a Lei Maria da Penha (24.273), violência física (18.134), moral (14.635) e patrimonial (8.239). Bezerra acredita que o aumento na identificação da violência psicológica reflete uma mudança na percepção das agressões.

São Paulo lidera o número de atendimentos ao Ligue 180 em 2026, com 106.552 registros até julho, seguido pelo Rio de Janeiro (64.670), Minas Gerais (42.439), Bahia (28.143) e Rio Grande do Sul (17.989). O encaminhamento de denúncias também varia de acordo com o estado, onde o Ministério das Mulheres mantém acordos de cooperação técnica com 19 unidades da Federação. Esses acordos possibilitam uma integração mais eficiente do Ligue 180 a órgãos locais, permitindo um acompanhamento mais ágil dos casos.

Quando uma mulher relata já ter feito boletins de ocorrência sem conseguir uma medida protetiva, a demanda é encaminhada aos órgãos locais, que informam sobre o andamento do caso. Nos estados onde não há acordo, o fluxo de acompanhamento não é tão eficiente.

Esse cenário destaca a importância de fortalecer a rede de apoio às mulheres e garantir que elas tenham acesso à proteção e ao acolhimento necessários.

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