Flávio apoia fim da escala 6×1, mas ignora debates da PEC

Flávio apoia fim da escala 6×1, mas ignora debates da PEC

Senador Flávio Bolsonaro Apoia PEC que Elimina Escala 6×1 no Senado

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) surpreendeu ao votar a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1. A votação, realizada nesta quarta-feira (14), contou com ampla aprovação no Senado, onde o texto foi aprovado em primeiro turno com 75 votos favoráveis e apenas um contrário, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

Embora tenha endossado a proposta, Flávio não participou das discussões em cinco sessões, comparecendo apenas na hora da votação. As sessões ocorreram em formato semipresencial, permitindo a participação à distância dos senadores. A PEC foi aprovada também em segundo turno, sinalizando um avanço significativo nas mudanças nas leis trabalhistas.

Mudança de Posição em Meio à Campanha

A adesão de Flávio à PEC ocorre em um momento crítico, a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais. Durante meses, ele criticou a proposta defendida pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), expressando preocupações sobre os impactos da redução da jornada de trabalho no emprego e nos custos das empresas. Contudo, após visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sob prisão domiciliar, Flávio anunciou sua mudança de posição: "A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6×1, então vou votar a favor", declarou.

Debates Sobre Flexibilidade no Trabalho

Apesar de apoiar a PEC, Flávio Bolsonaro continua defendendo maior flexibilidade nas contratações. Em agosto, durante um encontro com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ele já havia apresentado essa posição. A alternativa proposta por seu grupo político, liderado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), sugere contratos com remuneração proporcional às horas trabalhadas, o que contrasta com a PEC aprovada, que estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso remunerado sem redução salarial.

Futuro das Regras Trabalhistas

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que pretende avançar com a proposta de Marinho em 2027, caso Flávio vença a eleição. Ele também sinalizou a intenção de discutir ajustes nas regras após a votação, dependendo dos impactos econômicos da nova legislação.

Críticas e Mobilização no Congresso

A deputada Erika Hilton (PSOL-SP), uma das principais defensoras da redução da jornada de trabalho, criticou a possibilidade de revisão das regras pelo PL após as eleições. "A campanha do Flávio Bolsonaro subiu nas tamancas e acredita que já está eleito", afirmou. Hilton participou ativamente das mobilizações que levaram a proposta ao Congresso, impulsionadas pelo movimento Vida Além do Trabalho (VAT), e apresentou uma sugestão de jornada de quatro dias de trabalho e três de descanso.

Próximos Passos

Com a conclusão dos dois turnos de votação, a PEC agora segue para promulgação pelo Congresso Nacional. A implementação será gradual, começando com uma redução da jornada para 42 horas semanais, e a adaptação ao limite de 40 horas ocorrerá ao longo de 14 meses. As novas regras prometem impactar significativamente a rotina de trabalho de milhões de brasileiros.

Fonte: Link original

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