Desmatamento na Amazônia Legal atinge menor nível histórico em 2025
Em 2025, a Amazônia Legal registrou o menor índice de desmatamento desde 1985, com a perda de 693 mil hectares de vegetação. De acordo com dados do MapBiomas, divulgados nesta quarta-feira (13), a maior parte do desmatamento, cerca de 92% (639 mil hectares), ocorreu em áreas de vegetação primária.
Entre 1985 e 2025, a região perdeu um total alarmante de 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa. Durante o mesmo período, a área destinada à agropecuária cresceu impressionantes 440%. Em média, 77% dos desmatamentos registrados foram seguidos pela conversão da terra em pastagens.
A agricultura também experimentou um crescimento significativo. Em 1985, a área utilizada para cultivo ocupava apenas 161 mil hectares, enquanto em 2025 esse número saltou para 8,6 milhões de hectares. A área dedicada à soja, por sua vez, aumentou de 1,4 mil hectares para impressionantes 7 milhões de hectares.
A região da Amacro, que abrange municípios nas fronteiras do Amazonas, Acre e Rondônia, é a mais afetada. Desde 1985, a vegetação nativa nessa área diminuiu cerca de 7 milhões de hectares, representando uma redução de 16%. Embora a Amacro corresponda a apenas 11% do bioma, ela é responsável por 13% de toda a perda de vegetação nativa na Amazônia no mesmo período.
Outro dado preocupante é o crescimento da agropecuária nas áreas ao redor de zonas protegidas, que aumentou 561% desde 1985, ocupando agora 31% dessa faixa. Nas proximidades de estradas, essa atividade se torna ainda mais intensa: nos territórios localizados a até cinco quilômetros das vias, a agropecuária ocupa 40,2% da área, o que equivale a 63 milhões de hectares.
Bruno Ferreira, pesquisador do MapBiomas, destaca que "a expansão das estradas não apenas cria novos caminhos, mas também facilita o acesso a áreas anteriormente isoladas, possibilitando a chegada de diversas atividades e formas de ocupação do território".
Dentro das áreas protegidas, que incluem territórios indígenas, unidades de conservação e terras quilombolas, a vegetação nativa ainda representa 98% da cobertura desses espaços. O levantamento foi realizado a partir da análise de mapas anuais de cobertura e uso da terra, cruzados com dados de estradas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e do OpenStreetMap, incluindo vias não oficiais.
Com esses dados, a situação da Amazônia Legal se torna cada vez mais crítica, exigindo ações urgentes para preservar um dos biomas mais ricos do mundo.
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