Ação contra apostas ilegais retém R$ 3,4 bilhões em cinco estados

Ação contra apostas ilegais retém R$ 3,4 bilhões em cinco estados

Operação Azzardo: Polícia Civil do DF Investiga Esquema de Apostas Online Ilegal

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) lançou na manhã desta quinta-feira (5) a Operação Azzardo, uma ação que visa desmantelar um esquema de movimentação financeira ligado a plataformas de apostas online que operam sem autorização do governo federal. A Justiça já determinou o bloqueio de contas e ativos financeiros dos investigados, totalizando até R$ 3,483 bilhões.

Essa operação abrange 64 pessoas físicas e 120 pessoas jurídicas suspeitas de fazer parte de uma rede que utilizava empresas de fachada e transferências via Pix para gerenciar os valores apostados. As investigações revelaram movimentações financeiras que somam aproximadamente R$ 739 milhões, além de envolver uma fintech de São Paulo e outras empresas do mesmo grupo, com transações que chegam a quase R$ 1 bilhão.

Cerca de 200 policiais estão envolvidos na operação, que se estende pelo Distrito Federal e pelos estados de São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. Entre os locais alvo das buscas estão endereços em regiões estratégicas de São Paulo, como a Avenida Faria Lima e a Vila Olímpia.

Empresas de Fachada em Foco

O inquérito teve início há cinco meses, após denúncias da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda sobre as atividades de plataformas operando sem licença. A polícia descobriu que os pagamentos realizados por apostadores eram direcionados a empresas com atividades não relacionadas a jogos online, como uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô, ambas situadas em Sobradinho, no DF.

As investigações revelaram a abertura de várias empresas entre fevereiro e julho de 2026, muitas com capitais sociais idênticos e endereços concentrados em Sobradinho e Ceilândia. Em algumas dessas empresas, os investigadores encontraram imóveis vazios ou estabelecimentos diferentes dos registrados. Em uma única localidade em Ceilândia, dez empresas compartilhavam o mesmo número de telefone, levantando suspeitas sobre o uso dessas estruturas para receber e redistribuir valores entre apostadores.

Investigação de Fintech Autorizada

Além das empresas de fachada, a operação também investiga uma fintech paulista autorizada pelo Banco Central a operar como sociedade de crédito direto. Durante simulações feitas pela Secretaria de Prêmios e Apostas, foi constatado que pagamentos via Pix de sites ilegais eram direcionados a contas de empresas de fachada mantidas por essa fintech. A instituição também gerenciava contas de outras empresas investigadas, algumas com frequentes alterações de procuradores.

Dados financeiros analisados pela polícia indicam que a fintech e as empresas do grupo realizaram movimentações de aproximadamente R$ 1 bilhão, incluindo repasses relacionados a casas de apostas não autorizadas. Em julho, o Banco Central manifestou a intenção de cancelar a licença da fintech investigada.

Medidas Judiciais e Continuação da Investigação

A Justiça não apenas ordenou o bloqueio financeiro, mas também suspendeu as inscrições no CNPJ e registros comerciais de 100 empresas e empresários individuais. Os investigados estão proibidos de abrir novas contas bancárias por um período de 90 dias. A decisão judicial também autorizou a quebra de sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 jurídicas, além da apreensão de veículos durante as buscas.

A operação ainda investiga três empresas que possuíam permissões estaduais para explorar apostas na Paraíba e no Rio de Janeiro, mas que não tinham autorização federal para operar os sites investigados. A Operação Azzardo busca, portanto, identificar os responsáveis pela estrutura financeira das plataformas ilegais e rastrear o destino dos recursos movimentados.

Com a intensificação das investigações, a Polícia Civil do DF reafirma seu compromisso na luta contra a ilegalidade e a proteção do mercado de apostas regulamentadas no Brasil.

Fonte: Link original

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