Turismo em Itacaré: Conflito entre visitantes israelenses e moradores marca mural de solidariedade ao povo palestino
Na última sexta-feira (30), a cidade de Itacaré, no sul da Bahia, foi palco de um incidente envolvendo turistas israelenses e um mural coletivo que expressa apoio ao povo palestino. A obra, criada por moradores locais, foi realizada em um casarão simbólico da região, que, até recentemente, estava sob aluguel de israelenses.
O mural, parte de uma manifestação em defesa do “turismo ético”, trazia mensagens que denunciavam a violência colonial e expressavam solidariedade aos palestinos. Com a presença de artistas e moradores, a intervenção transformou as paredes do casarão em um espaço de resistência cultural. Mariá Veiga, professora e coordenadora da Frente Palestina do Sul da Bahia, destacou que o evento ocorreu em meio à Flicaré, uma feira de livros que atraía muitos visitantes à praça.
No entanto, horas após a mobilização, um grupo de sete turistas israelenses tentou vandalizar o mural, incomodados com suas mensagens. Moradores da vizinhança intervieram rapidamente, protegendo a obra e demonstrando apoio à iniciativa artística. “As próprias pessoas que estavam na praça protegeram o mural, pois estavam felizes com a sua presença”, relatou Veiga.
O casarão, que já abrigou uma escola de música, se tornou ponto de controvérsia após ser alugado por israelenses, que, segundo ativistas, utilizavam o espaço de forma irregular. “Eles promoviam cerimônias e funcionavam como um restaurante sem alvará. A situação se agravou com a denúncia de comportamentos inadequados e desrespeitosos por parte dos visitantes”, contou a ativista.
A pressão sobre o proprietário do casarão, que inicialmente apoiava a intervenção, levou-o a solicitar a remoção das mensagens do mural. Este não foi o primeiro conflito entre moradores e turistas israelenses na região, que frequentemente é alvo de críticas por comportamentos considerados violentos e racistas.
A ativista mencionou que muitos israelenses, após o serviço militar, utilizam o Brasil como um destino de relaxamento, mas acabam reproduzindo atitudes agressivas. “Eles acham que estão em um campo de guerra, tratando mal as pessoas e desrespeitando a cultura local”, afirmou.
Com o aumento da presença de turistas israelenses após o início do conflito em outubro de 2023, as tensões têm se intensificado. Em uma manifestação anterior, em março de 2026, ativistas pró-Palestina se depararam com a resistência de empresários locais que apoiam os visitantes, resultando em confrontos e prisões.
A atuação da Frente Palestina do Sul da Bahia visa não apenas expressar solidariedade, mas também promover um turismo que respeite a cultura e o povo de Itacaré. “Um recado para todos que escolhem Itacaré como destino: sejam bem-vindos, mas venham com respeito. Respeitem nosso povo, nossa cultura, nossa história e nosso território”, enfatizou uma das postagens da Frente.
A situação em Itacaré reflete um dilema maior sobre o turismo e a responsabilidade cultural, ao mesmo tempo em que ilustra a complexidade das relações internacionais e seus desdobramentos em comunidades locais.
Fonte: Link original



































