Ação Judicial Visa Impedir Fusão Bilionária entre Paramount e Warner Bros. Discovery
Um consórcio de 12 estados norte-americanos moveu uma ação judicial contra a Paramount Skydance nesta segunda-feira (13), buscando bloquear sua proposta de fusão de US$ 110 bilhões com a Warner Bros. Discovery. Os estados argumentam que o acordo, se concretizado, resultaria em aumento nos preços e redução das opções disponíveis para os consumidores de cinema e televisão.
A ação antitruste foi protocolada em um tribunal federal na Califórnia e destaca preocupações sobre a concorrência na distribuição de filmes e no licenciamento de canais de TV por assinatura. Os procuradores-gerais da Califórnia e de outros 11 estados, todos governados por democratas, uniram forças para contestar a transação, que representa um significativo obstáculo legal ao megacompra, especialmente após a aprovação inicial do governo Trump sem imposições adicionais em junho.
“Essa fusão ilegal entre dois gigantes do entretenimento resultaria em preços mais altos, qualidade inferior e menos conteúdo disponível, prejudicando cinemas, distribuidores de TV e, em última análise, o público”, declarou Rob Bonta, procurador-geral da Califórnia. Ele ainda enfatizou: “Nos Estados Unidos, não há espaço para reis, seja na política ou na economia”.
Conforme detalha a ação, a fusão reuniria dois dos cinco maiores estúdios de cinema dos EUA, conferindo à nova empresa o controle de 27% do mercado de lançamentos amplamente distribuídos. Além disso, Warner Bros. e Paramount passariam a dominar mais de 30% dos blockbusters previstos, que são filmes de grande orçamento. Com a fusão, apenas quatro empresas controlariam 90% desse segmento: a nova empresa, Walt Disney, Universal e Sony Pictures.
O impacto da fusão também se estenderia ao mercado de canais de TV, onde a nova entidade controlaria 27% da audiência, unindo as operações dos segundo e terceiro maiores players desse setor.
A ação judicial praticamente inviabiliza os planos da Paramount de concluir a fusão até o final de setembro, prazo em que a empresa começaria a incorrer em custos adicionais com os acionistas da Warner Bros. O mês passado viu o Departamento de Justiça dos EUA decidir não contestar o acordo, emitindo uma declaração final que indicava que a transação provavelmente não afetaria a concorrência.
Se a fusão for aprovada, David Ellison, filho do cofundador da Oracle, Larry Ellison, assumirá a liderança de duas grandes redes de notícias, CBS e CNN, além de controlar os serviços de streaming Paramount+ e HBO Max. A Paramount superou a Netflix em uma intensa disputa de ofertas para garantir a fusão.
Entretanto, a proposta enfrenta forte resistência por parte de democratas em Washington e diversas figuras de Hollywood, incluindo atores, diretores e roteiristas, que argumentam que a fusão resultaria em perda de empregos, aumento nos custos de produção e menos opções para o público.
A análise do acordo também está em curso por parte das autoridades antitruste da Europa, que devem emitir um parecer ainda neste mês.
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