Cresce a Oposição à Privatização no Estado de São Paulo, Aponta Pesquisa
A resistência à privatização de serviços essenciais, como o metrô e o porto de Santos, tem ganhado força entre os paulistas. Uma nova pesquisa do Datafolha revela que a desaprovação em relação à desestatização desses serviços aumentou significativamente nos últimos anos, refletindo a insatisfação da população com experiências passadas de privatização.
De acordo com os dados, 56% dos entrevistados se manifestaram contra a privatização das linhas de metrô, um aumento de 9 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, realizado em março de 2023. Por outro lado, o apoio à privatização caiu de 48% para 37%. A desaprovação das linhas de trem da CPTM também cresceu, atingindo 53%, enquanto o apoio caiu de 49% para 39%.
Os questionários do Datafolha abordaram diretamente a opinião dos cidadãos sobre a privatização das linhas de trem de passageiros e do metrô. A escolha da palavra "privatização" foi feita por ser mais familiar ao público do que "concessão". Especialistas apontam que a aversão à desestatização pode ser atribuída a experiências negativas em privatizações anteriores.
Atualmente, o metrô de São Paulo opera as linhas 1-azul, 2-verde e 3-vermelha, além do monotrilho com as linhas 15-prata e 17-ouro, todos sob gestão estatal. A linha 4-Amarela é operada pela Motiva, em um modelo de parceria público-privada (PPP) desde 2010. Recentemente, o governador Tarcísio de Freitas afirmou a intenção de manter a linha 17-ouro sob a gestão do Metrô, o que gerou debates sobre a continuidade de concessões.
A pesquisa também destaca a oposição à privatização do porto de Santos, com 50% dos entrevistados contra essa medida, um aumento de 5 pontos percentuais em comparação a 2023. A favor da desestatização, apenas 31% se manifestaram. O projeto de privatização do porto foi uma das principais iniciativas de Tarcísio quando era ministro da Infraestrutura no governo anterior, mas a atual administração não deu continuidade ao processo.
Além disso, mais da metade dos paulistas (54%) se opôs à privatização da Sabesp, a companhia de saneamento do estado, que completou dois anos de desestatização. Para 51% dos entrevistados, a privatização não trouxe melhorias no serviço de água e esgoto. Somente 28% afirmaram que o serviço piorou, enquanto 14% o consideraram melhor.
Fernando Vernalha, advogado especializado em infraestrutura, sugere que a percepção negativa sobre privatizações reflete casos de desestatização mal-sucedida, como a concessão de serviços de energia à Enel, que enfrentou sérios problemas nos últimos anos. A pesquisa também revelou que a satisfação com o custo-benefício de serviços públicos, como energia elétrica e telefonia, apresenta variações, com uma ligeira melhora na percepção sobre telefonia e internet.
Realizada entre 1º e 3 de julho com 1.608 entrevistados em 71 municípios, a pesquisa do Datafolha possui margem de erro de 2 pontos percentuais e está registrada no TSE. A crescente resistência à privatização de serviços essenciais levanta questões sobre a gestão pública e a confiança da população nos modelos de desestatização adotados.
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