China Realiza Pouso Histórico de Foguete em Terra Seca
A China alcançou um marco significativo em sua trajetória espacial ao realizar, pela primeira vez, a recuperação do primeiro estágio de um foguete em terra firme após um voo orbital. O feito foi concretizado pelo foguete Zhuque-3, desenvolvido pela empresa privada LandSpace, durante um lançamento na Zona de Testes de Inovação Espacial Comercial de Dongfeng.
O lançamento ocorreu na quarta-feira, dia 19, no horário local da China, correspondente à noite de terça-feira, dia 18, no Brasil. Após cumprir a missão orbital, o primeiro estágio do foguete retornou e pousou verticalmente em uma área designada para recuperação em Minqin, na província de Gansu. Este evento representa um avanço notável para o programa espacial comercial chinês, colocando a LandSpace entre as poucas empresas do mundo que demonstraram a capacidade de recuperar um estágio de foguete em terra.
Avanços na Tecnologia de Recuperação
O Zhuque-3, com seus 66,1 metros de altura, possui um núcleo único com dois estágios. Feito predominantemente de aço inoxidável, o foguete utiliza motores que operam com uma combinação de metano líquido e oxigênio líquido. O primeiro estágio é equipado com nove motores Tianque-12A e conta com sofisticados sistemas para controlar a trajetória durante a reentrada, incluindo aletas de estabilização e pernas de pouso.
A complexidade da recuperação é um dos principais desafios enfrentados pela LandSpace. Após a separação do segundo estágio, o primeiro precisa ajustar sua trajetória, realizar queimas dos motores e desacelerar progressivamente até a aterrissagem no ponto previsto. Em testes anteriores, a empresa já havia demonstrado a funcionalidade de seus sistemas, com um veículo de testes completando um pouso vertical a 2,4 metros do alvo.
Superando Desafios Anteriores
Esse pouso bem-sucedido é um importante retorno para a LandSpace após uma tentativa anterior malsucedida. No voo inaugural do Zhuque-3, em dezembro de 2025, o primeiro estágio não conseguiu completar a recuperação devido a uma anomalia durante a fase final. Apesar do fracasso, os dados obtidos foram cruciais para aprimorar o sistema de recuperação.
Comparações com Outros Programas Espaciais
É importante contextualizar o feito do Zhuque-3, uma vez que a China já havia recuperado o primeiro estágio de um foguete orbital anteriormente, em julho de 2026, com o Long March-10B, que foi capturado em uma embarcação no mar. A diferença crucial é que o Zhuque-3 é o primeiro a realizar essa recuperação em terra, utilizando uma abordagem semelhante à da SpaceX com seus foguetes Falcon 9.
Assim, a China agora conta com duas estratégias para a recuperação de estágios de foguetes: a captura no mar, já demonstrada, e o pouso vertical em terra, que acaba de ser validado pelo Zhuque-3.
Implicações para o Futuro do Setor Espacial
A recuperação de estágios é uma tecnologia vital para o crescimento do setor espacial comercial da China. O Zhuque-3 foi projetado para viabilizar lançamentos mais frequentes e econômicos, reduzindo a necessidade de fabricar novos componentes a cada missão. Com a possibilidade de recuperar, inspecionar e reutilizar o primeiro estágio, a LandSpace busca se posicionar competitivamente no mercado global.
Embora o sucesso do pouso represente um avanço, a China ainda está em fase inicial de desenvolvimento em comparação com a SpaceX. O Zhuque-3 provou a viabilidade da recuperação orbital em terra, eliminando uma das principais barreiras tecnológicas para operações comerciais de lançadores parcialmente reutilizáveis.
Com a expansão de suas constelações de satélites e o crescimento do setor espacial, a China se prepara para aumentar sua capacidade de lançamento e consolidar sua presença no espaço.
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