Dívida nacional dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões pela primeira vez

Dívida nacional dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões pela primeira vez

Dívida Nacional dos EUA Ultrapassa US$ 40 Trilhões pela Primeira Vez

A dívida nacional bruta dos Estados Unidos superou a marca de US$ 40 trilhões pela primeira vez, conforme dados divulgados nesta quarta-feira pelo Departamento do Tesouro. Esse crescimento acelerado contrasta com previsões anteriores e é impulsionado, em parte, por tarifas comerciais que foram invalidadas durante a administração do ex-presidente Donald Trump.

Ao final do dia de negócios na terça-feira, a dívida pública totalizava US$ 40,05 trilhões. Esse número ultrapassa a estimativa anterior do Escritório de Orçamento do Congresso, que projetava um total de US$ 39,4 trilhões até o final do ano fiscal de 2026.

O aumento da dívida ocorre em um contexto de preocupações com a inflação, conflitos no Oriente Médio e gastos governamentais elevados, fatores que têm alimentado a ansiedade dos investidores. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de longo prazo atingiram na terça-feira o nível mais alto desde 2007, refletindo pressões inflacionárias exacerbadas pela guerra no Irã e o déficit orçamentário dos EUA.

A crescente dívida exige que o governo americano refinancie sua dívida a taxas de juros mais altas do que as observadas antes da crise financeira global de 2008. Para estabilizar o mercado de títulos de longo prazo, o Departamento do Tesouro tomou medidas na manhã de quarta-feira, resultando em uma queda nos rendimentos.

O governo federal opera com um déficit e recorre a empréstimos para cobrir suas obrigações, que incluem gastos com guerra e cortes de impostos. Jessica Riedl, especialista em orçamento e tributação do Brookings Institution, afirmou que "há muito tempo se sabe que o governo dos Estados Unidos segue um caminho insustentável em relação aos déficits". Nos últimos anos, os déficits têm girado em torno de US$ 2 trilhões, mesmo em tempos de estabilidade econômica.

Enquanto déficits de 3% a 4% do PIB costumavam preocupar os mercados financeiros, Riedl destacou que os níveis atuais estão mais próximos de 6% a 7% do PIB, o que tem gerado maior nervosismo entre os investidores. Com a inflação elevando as taxas de juros, os custos associados à dívida também aumentaram, e as despesas relacionadas ao envelhecimento da população estão pressionando ainda mais os déficits.

Analistas observam que não existe um nível de dívida em relação ao PIB que automaticamente desencadeie uma crise. Embora a marca de US$ 40 trilhões seja simbólica, muitos economistas consideram a dívida pública como a medida mais relevante. Riedl acrescentou que "psicologicamente, esses marcos alertam os mercados financeiros para que revisitem a questão do aumento da dívida".

O aumento do endividamento federal ocorreu durante a Grande Recessão de 2007-2009 e se intensificou após a resposta do governo à crise provocada pela Covid-19. Caleb Quakenbush, diretor de política fiscal do Bipartisan Policy Center, ressaltou que a trajetória dos gastos orçamentários dos EUA não tem sido abordada pelo Congresso ou pelas administrações de forma "significativa ou duradoura".

Ele alertou para a incerteza em torno dos "níveis sem precedentes de endividamento que estamos vendo agora" e mencionou que os mercados de títulos podem enfrentar desafios severos em um cenário de crise. Mesmo fora desse contexto, os Estados Unidos podem experimentar custos de empréstimos mais altos para consumidores e empresas, o que pode restringir o crescimento econômico. A meta do Secretário do Tesouro, Scott Bessent, era reduzir o déficit dos EUA para 3% do PIB.

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