Durigan alerta: Rubio representa risco maior que Trump ao Brasil

Durigan: Rubio é perigo maior que Trump ao Brasil, pois tem compromisso com família Bolsonaro

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista à revista Piauí, enfatizou que o principal desafio para o Brasil não é o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas sim o secretário de Estado, Marco Rubio, que tem uma forte ligação com a família Bolsonaro e se mostra focado na América Latina. Durigan afirmou que Rubio representa uma ameaça maior, pois sua aliança com os Bolsonaro pode instrumentalizar políticas que afetem o Brasil. O ministro citou que, durante discussões sobre tarifas de produtos brasileiros, o presidente Lula pediu a Trump que não interferisse nas eleições nacionais, recebendo a garantia de que essa interferência não ocorreria.

Além disso, Durigan criticou a atuação do Congresso em relação ao orçamento, destacando o aumento das emendas parlamentares, que resultaram em um gasto de R$ 50 bilhões. Ele descreveu essa situação como um “desarranjo fiscal”, que se agrava pelo desarranjo institucional do país. O ministro questionou a confiança do mercado na capacidade da família Bolsonaro em garantir a estabilidade e as condições necessárias para um futuro fiscal, político e social saudável. Durigan expressou sua preocupação com a polarização política e a instabilidade que podem surgir na ausência de um equilíbrio.

Sobre as metas fiscais, Durigan considera irrealista a proposta de um superávit primário de 2% a curto prazo. Ele sugeriu um avanço gradual, buscando um superávit de 0,6% no próximo ano, com incrementos nos anos seguintes, como uma forma de restaurar a credibilidade econômica do Brasil sem comprometer a legitimidade social. O ministro enfatizou que a falta de equilíbrio financeiro poderia levar o país a uma nova polarização, prejudicial a todos.

Durigan também defendeu as ações de sua gestão e de seu antecessor, Fernando Haddad, refutando críticas sobre uma suposta “sanha arrecadatória” por meio do aumento de tributos. Ele argumentou que o aumento da arrecadação é resultado do retorno a um patamar de receita que supera as despesas do governo, e que isso é um passo necessário para restabelecer a credibilidade fiscal. O ministro acredita que, com essa recuperação, o Brasil poderá alcançar superávits, aumentar suas reservas internacionais e enfrentar os desafios globais de forma mais robusta.

Em suma, Durigan abordou questões cruciais que envolvem a política externa do Brasil, as relações com os Estados Unidos, a situação fiscal interna e a importância de um planejamento econômico equilibrado. Ele ressaltou que a estabilidade do país depende de um consenso político que evite a polarização, e que a recuperação econômica deve ser gradual e sustentável, garantindo ao mesmo tempo a legitimidade social. A visão do ministro é de cautela e prudência, buscando evitar crises que possam agravar ainda mais a situação do Brasil no cenário político e econômico global.

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