Especialista defende coexistência entre petróleo e meio ambiente

Produção de petróleo e cuidado ambiental podem coexistir, diz especialista

A recente descoberta de indícios de petróleo no Amapá pela Petrobras, anunciada em 14 de outubro de 2023, reacendeu discussões sobre os impactos ambientais e econômicos da exploração de combustíveis fósseis no Brasil. Em uma entrevista ao AGORA CNN, Eberaldo de Almeida Neto, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), comentou sobre as implicações da descoberta e o caminho até a eventual comercialização do petróleo.

Almeida Neto destacou a relevância da demora de 13 anos desde a licitação do bloco onde o poço pioneiro foi perfurado, em 2013, até o início da exploração. Ele ressaltou que a perfuração de um poço pioneiro marca apenas o início de um processo técnico complexo, que envolve a coleta de material, análise da rocha e do fluido presente, além da verificação do volume disponível. O poço foi perfurado em uma profundidade de mais de 2.800 metros em uma lâmina d’água, e a Petrobras ainda precisa realizar testes de produção e possivelmente perfurar poços adjacentes para dimensionar o reservatório.

Sobre os impactos ambientais da exploração, que geraram debates judiciais e divergências no governo, Almeida Neto citou a Noruega como um exemplo de país que, apesar de produzir petróleo em regiões sensíveis, conseguiu preservar o meio ambiente. Ele argumentou que os recursos gerados pela produção de petróleo podem ser utilizados para financiar a proteção ambiental e criar alternativas econômicas para as comunidades locais, enfatizando que a pobreza é um dos principais adversários da preservação ambiental. O especialista observou que as participações governamentais da cadeia de petróleo no Brasil superam 250 bilhões de reais anuais, e se bem aplicadas, podem trazer benefícios para a educação e a preservação da natureza.

Almeida Neto também destacou que o poço está localizado a mais de 170 quilômetros da costa, o que minimiza a probabilidade de impactos sobre o litoral, devido às correntes marítimas. Em relação à transição energética, ele apresentou dados que mostram que atualmente, 54% da energia mundial é proveniente de petróleo e gás, enquanto 32% vem do carvão, totalizando mais de 80% da matriz energética global baseada em fontes fósseis. Ele defendeu que a transição energética é necessária, mas deve ser equilibrada com a demanda, alertando para o fato de que as populações mais pobres não devem sofrer com o aumento dos preços da energia.

Além disso, Almeida Neto advertiu que, se o Brasil optar por não explorar suas reservas, a produção de petróleo será transferida para outros países, como Guiana, Suriname, Noruega, entre outros. Ele concluiu que, apesar de uma possível redução percentual do petróleo na matriz energética, o volume de produção pode se manter, uma vez que a demanda mundial de energia tende a aumentar, independentemente da decisão do Brasil em explorar suas reservas. Essa perspectiva reforça a importância de considerar tanto o desenvolvimento econômico quanto a preservação ambiental no debate sobre a exploração de combustíveis fósseis no país.

Fonte: Link original

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