Grupos no Iraque prometem US$ 10 milhões por assassinato de Trump

A Resistência Islâmica no Iraque (IRI) é uma coalizão de milícias armadas de orientação xiita que surgiu em meados de 2023, com o objetivo de resistir a influências externas, especialmente dos Estados Unidos e de Israel. Recentemente, o grupo anunciou uma recompensa de US$ 10 milhões (mais de R$ 50 milhões) para quem matar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Essa informação foi divulgada no dia 16 de julho e reflete o crescente antagonismo do grupo em relação aos EUA, bem como seu apelo à mobilização de seus apoiadores.

A IRI é composta por várias milícias que fazem parte das Forças de Mobilização Popular (PMF), uma organização que foi criada em 2014 para combater o avanço do Estado Islâmico (ISIS) no Iraque. As PMFs foram oficialmente integradas às forças armadas iraquianas, mas mantêm uma estrutura e ideologia próprias, muitas vezes alinhadas com os interesses do Irã. Esse apoio iraniano é fundamental para a IRI e outras milícias, que fazem parte do que é conhecido como o Eixo da Resistência — uma aliança informal de grupos e países que se opõem a Estados Unidos e Israel.

A notoriedade da IRI aumentou em meio à recente escalada de conflitos no Oriente Médio, especialmente durante a guerra entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza. Durante esse período, a IRI lançou ataques contra alvos israelenses, expressando solidariedade aos palestinos e posicionando-se como um ator relevante na dinâmica regional. Além disso, o grupo também tem se envolvido em confrontos diretos com forças norte-americanas no Iraque, refletindo uma resistência organizada contra a presença militar dos EUA na região.

A coleta de fundos para a recompensa de Trump, segundo a IRI, foi realizada através de doações de “filhos leais e apoiadores patriotas”. Essa estratégia de financiamento sugere uma mobilização comunitária em torno de uma causa que o grupo considera justa, destacando a narrativa de resistência e patriotismo que busca conquistar a adesão popular. A oferta de recompensa também serve como um forte símbolo de desafio à política externa dos EUA, especialmente em um contexto onde a presença americana no Iraque é frequentemente contestada.

O cenário em que a IRI opera é caracterizado por uma complexa rede de alianças e hostilidades. O grupo não apenas se alinha ideologicamente com o Irã, mas também se insere em uma luta mais ampla que envolve questões sectárias e geopolíticas no Oriente Médio. O apoio de Teerã a essas milícias xiitas é um fator determinante na capacidade da IRI de operar e se expandir, além de influenciar a segurança e a política no Iraque.

Em resumo, a Resistência Islâmica no Iraque representa uma faceta significativa do panorama de segurança no Oriente Médio, refletindo as tensões persistentes entre potências regionais e internacionais, assim como a luta interna por poder e influência dentro do Iraque. O seu surgimento e ações são emblemáticos de um período de crescente radicalização e militarização das relações no contexto pós-ISIS, onde o legado da guerra e a resistência à ocupação permanecem centrais na narrativa política e social.

Fonte: Link original

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