Alécio Soares Silva, um empresário de 44 anos atuante no setor de distribuição de produtos hospitalares, foi preso em Morrinhos (GO) junto com seu irmão, Alessandro Soares Silva, de 47 anos. Ambos são considerados os principais fiadores de uma organização criminosa envolvida no furto e comercialização clandestina de medicamentos destinados ao tratamento de câncer. A prisão ocorreu durante uma operação conjunta do Ministério Público de Goiás (MPGO) e da Polícia Civil de Goiás (PCGO), na última quinta-feira (27/8). Essa operação, denominada Operação Alto Custo, também revelou que os irmãos são suspeitos de causar um prejuízo de R$ 45 milhões aos cofres públicos, relacionado a sonegação de impostos e estratégias de blindagem patrimonial.
Em abril de 2023, durante a primeira fase da Operação Alto Custo, as autoridades cumpriram 17 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão preventiva. A operação resultou na apreensão de medicamentos oncológicos de alto valor, como Imbruvica, Venclexta e Tagrisso, que podem custar mais de R$ 80 mil por caixa. Esses medicamentos são frequentemente desviados e reinseridos ilegalmente no comércio, dada a alta demanda e valor de mercado.
As investigações da 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul) revelaram que cerca de R$ 22 milhões foram movimentados em um ano, principalmente em Goiânia e em cidades do Entorno do Distrito Federal, como Valparaíso de Goiás e Novo Gama. O líder da organização criminosa coordenava furtos e roubos de medicamentos de alto valor e utilizava um sistema complexo de “lavagem de medicamentos”. Esse esquema envolvia a criação de empresas de fachada que emitiam notas fiscais falsas, conferindo uma aparência de legalidade aos produtos roubados.
Um aspecto alarmante das investigações foi a descoberta de que 13 funcionários de uma empresa farmacêutica estavam diretamente envolvidos no desvio dos medicamentos. Eles utilizavam métodos para mascarar os furtos e evitar suspeitas, resultando em indiciamentos para todos os envolvidos. Além disso, a armazenagem inadequada dos medicamentos roubados foi identificada como um grave problema. Sem as condições corretas de refrigeração, muitos medicamentos perderam sua eficácia, tornando-se ineficazes como tratamentos e, em alguns casos, representando riscos à saúde dos pacientes.
A Operação Alto Custo destacou não apenas a gravidade do envolvimento dos irmãos Silva no crime organizado, mas também a complexidade do sistema que eles e seus cúmplices montaram para perpetrar esses delitos. A combinação de sonegação fiscal, desvio de medicamentos essenciais, e a participação de funcionários dentro das empresas farmacêuticas revela um problema sistêmico que pode ter consequências devastadoras para pacientes que dependem desses medicamentos para tratamento de câncer.
Atualmente, as autoridades continuam a buscar mais informações e a localizar a defesa dos acusados, que ainda não se manifestaram sobre as acusações. A operação evidencia a necessidade de um rigoroso controle e supervisão sobre a distribuição de medicamentos, uma vez que a saúde pública está em risco diante de atividades criminosas desse tipo.
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