Os atos do Dia Internacional do Trabalhador em 1.º de maio de 2025 ocorrerão sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se absteve de participar dos eventos programados, assim como fez em 2024. Essa decisão marca uma continuação da ressaca petista após derrotas significativas no Congresso Nacional, onde a base governista enfrenta desafios e uma crescente pressão da oposição.
O foco dos atos deste ano está na capital e na região metropolitana de São Paulo, com eventos fragmentados. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), participará de um ato no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, um local simbólico, onde Lula ganhou notoriedade como sindicalista. O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato a governador de São Paulo, Fernando Haddad (PT), estará presente em dois eventos: um no ABC e outro da Força Sindical no bairro da Liberdade, na capital. Além disso, as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB), que também são pré-candidatas ao Senado, estarão no mesmo evento em São Paulo.
Esses eventos ocorrem em um contexto de derrotas para a esquerda, com a semana anterior ao feriado sendo marcada por um rompimento de tradições no Senado. Pela primeira vez em 132 anos, o advogado-geral da União, Jorge Messias, foi rejeitado, em uma votação que teve como destaque o papel do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Além disso, a oposição conseguiu reverter o projeto de lei da dosimetria, que poderia reduzir penas para condenados por atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Outro fator a complicar os atos do Dia do Trabalhador foi a impossibilidade da Central Sindical e Popular Conlutas (CSP-Conlutas) de realizar um protesto na Avenida Paulista, devido à reserva do local por um grupo de direita, os Patriotas do QG, que já havia avisado à polícia sobre seu evento.
A ausência de Lula e a fragmentação dos atos geraram críticas entre seus aliados. O deputado federal André Janones (Avante-MG) expressou desapontamento, afirmando que o presidente perdeu uma oportunidade única de mobilizar manifestações em torno de uma causa que poderia unir trabalhadores de diferentes espectros políticos. Janones destacou que este seria um momento crucial, pois seria o último Dia do Trabalhador sob a vigência da escala 6×1, uma questão central na agenda do governo e nas campanhas eleitorais.
Em 2024, a participação de Lula em um ato na Neo Química Arena foi considerada insatisfatória, com uma presença baixa que irritou o presidente. Na ocasião, Lula criticou a convocação do evento, ressaltando a necessidade de uma mobilização mais forte.
Neste ano, o governo está articulando uma proposta para abolir a escala de trabalho 6×1, considerada vital para a campanha, mas enfrenta resistência do setor produtivo, que aponta possíveis impactos negativos no PIB. Esse debate sobre a proposta de trabalho divide opiniões, com alguns defendendo que o assunto deve ser tratado apenas no próximo mandato.
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