Nova Lei Seca: Substâncias Detectáveis pelo Drogômetro

Nova Lei Seca: Substâncias Detectáveis pelo Drogômetro

Nova Regulamentação do Contran Permite Detecção de Substâncias Psicoativas em Motoristas

Na última terça-feira (18), o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicou uma nova regulamentação no Diário Oficial da União que altera as fiscalizações da Lei Seca. Agora, motoristas poderão ser submetidos a testes que identificam substâncias psicoativas durante as operações de fiscalização.

O destaque dessa mudança é o uso do drogômetro, um dispositivo que, conforme certificado pelo Inmetro, já está em fase de testes. Este aparelho é capaz de detectar várias drogas através de fluidos orais, incluindo substâncias como anfetamina, cocaína, ecstasy, heroína, LSD, THC da cannabis, fentanil, cetamina, entre outras.

Além disso, a nova norma estabelece uma etapa inicial de triagem, onde os agentes poderão utilizar equipamentos que medem a presença de álcool no sangue. Esse procedimento visa identificar a presença de substâncias psicoativas, embora não forneça informações sobre a quantidade delas no organismo.

O auto de infração gerado durante a fiscalização deverá registrar a substância detectada, mas é importante ressaltar que esta medida não cria novas infrações de trânsito. A regulamentação apenas detalha os procedimentos para aplicação do artigo 165 do Código de Trânsito Brasileiro, que proíbe dirigir sob influência de álcool ou drogas que possam causar dependência.

Implicações para Usuários de Cannabis Medicinal

Uma dúvida que surge é sobre o impacto dessa nova regulamentação para quem utiliza cannabis medicinal. A lista de substâncias que o drogômetro pode identificar não abrange todos os produtos à base de cannabis. Embora o CBD, um dos compostos da planta, não tenha os mesmos efeitos intoxicantes que o THC, alguns medicamentos podem conter traços deste último, dependendo da sua formulação. Portanto, não se pode garantir que todo produto medicinal à base de CBD esteja isento de THC.

Essa situação também se aplica a antidepressivos e ansiolíticos. O drogômetro não foi projetado para identificar medicamentos em geral, mas sim para detectar substâncias específicas. Assim, se um remédio contiver alguma substância que o equipamento reconhece, pode haver um resultado positivo no teste.

Ainda que um medicamento não seja identificado, seus efeitos colaterais, como sonolência e alteração na coordenação motora, podem afetar a capacidade de conduzir. É fundamental que a avaliação leve em consideração o tipo de medicamento, a dosagem, os efeitos no paciente e a recomendação médica.

Triagem Rápida e Confirmatória

O novo equipamento permitirá uma triagem ágil nas operações de fiscalização. No entanto, em casos mais complexos, resultados preliminares poderão exigir confirmação através de análises laboratoriais, conforme as regulamentações aplicáveis.

Com a publicação da nova resolução, a implementação do drogômetro poderá ser iniciada, marcando mais um passo na segurança nas estradas brasileiras. A expectativa é que essa mudança contribua para um trânsito mais seguro, reduzindo acidentes relacionados ao uso de substâncias psicoativas.

Fonte: Link original

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