O Fascínio pela Tecnologia: Inovações que Transformam Vidas

Sobre o fascínio tecnológico – Jornal da USP

O artigo de Jean Pierre Chauvin, professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, discute a complexidade da comunicação e a questão da neutralidade nas mídias, especialmente em um contexto marcado por crises sociais e tecnológicas. Ele inicia citando Umberto Eco, que descreve o conceito-fetiche como um elemento que intensifica a emoção no discurso, sugerindo que em tempos de desinformação e manipulação, é difícil encontrar discursos verdadeiramente neutros.

Chauvin argumenta que, ao longo da história das mídias corporativas no Brasil, especialmente na segunda metade do século 20, já era evidente a falta de neutralidade. Editorialistas e manchetes frequentemente refletiam interesses ideológicos e econômicos, dificultando a percepção da autonomia das publicações. Com a chegada da internet nos anos 1990, essa questão se tornou ainda mais complexa. Enquanto alguns teóricos, como Pierre Lévy, viam a internet como uma ferramenta que poderia democratizar a informação, outros, como Manuel Castells, expressavam ceticismo sobre sua neutralidade.

O autor destaca que a discussão sobre a neutralidade das tecnologias de comunicação continua relevante, agora em um cenário onde a inteligência artificial e outras inovações permeiam as interações sociais. Ele observa que, embora as novas tecnologias possam ser vistas como ferramentas úteis, também podem reforçar preconceitos e desigualdades, dependendo de como são utilizadas. Essa ambivalência é um tema recorrente, refletindo divisões entre otimistas e pessimistas sobre as implicações das tecnologias na sociedade.

Chauvin alerta para o risco de uma aceitação acrítica das tecnologias, que pode levar a uma visão passiva do mundo. Ele argumenta que a maneira como interagimos com essas ferramentas está intimamente ligada a uma variedade de perspectivas que podem ser assimétricas ou até antagônicas. Essa dinâmica é observada em diversos contextos da vida cotidiana, desde a educação até o consumo.

O autor enfatiza que a universidade deve ser um espaço de crítica e reflexão sobre as tecnologias. No entanto, ele expressa preocupação com a aplicação indiscriminada de ferramentas digitais, que pode comprometer a busca pelo conhecimento e a capacidade crítica dos indivíduos. Quando a tecnologia é utilizada sem um exame cuidadoso, corre-se o risco de reduzir a autonomia dos usuários.

Em conclusão, o artigo de Chauvin é um convite à reflexão sobre a relação entre tecnologia, comunicação e autonomia crítica. Ele nos lembra da importância de questionar as narrativas predominantes e de exercer um olhar crítico sobre o papel das mídias e das novas tecnologias na formação de opiniões e na construção da realidade social. A neutralidade, longe de ser uma característica intrínseca das mídias, é uma construção social que deve ser constantemente analisada e debatida, especialmente em um mundo em que a informação é cada vez mais manipulada e polarizada.

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