O deputado Moses Rodrigues (União-CE) sugeriu ao Conselho de Ética da Câmara a suspensão, por dois meses, dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC). Esta recomendação se baseia em um ato de obstrução física realizado por esses deputados da oposição em agosto de 2025, quando eles ocuparam a Mesa Diretora da Câmara em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Rodrigues defendeu que a Câmara deve aplicar uma punição severa para demonstrar que não tolera infrações desse tipo, ressaltando que nenhum grupo de parlamentares deve tentar impor sua pauta por meio de chantagem e ocupação física.
Os acusados, por sua vez, negam qualquer irregularidade e alegam que suas ações estão protegidas pela imunidade parlamentar. O deputado Ricardo Maia (MDB-BA) apresentou um relatório que recomenda a suspensão do mandato de Pollon por 90 dias, devido a ofensas dirigidas ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), solicitou vistas dos relatórios, que estão programados para serem discutidos em 5 de maio. Outros parlamentares envolvidos na ocupação passaram a receber punições mais leves, como advertências.
Os deputados têm se manifestado contra as recomendações, considerando-as como uma forma de “perseguição”. Van Hattem descreveu o parecer como um ato de “perseguição sem fim” e convocou mobilizações para reverter a situação. Zé Trovão, por sua vez, defendeu que sua suspensão de dois meses é uma injustiça, alegando estar lutando pela anistia relacionada aos eventos de 8 de janeiro e reafirmando que não recuará em sua luta. Pollon também se posicionou, afirmando que estão tentando silenciá-lo por cumprir seu dever de representar aqueles que se sentem injustamente tratados.
A ocupação das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, que durou cerca de 30 horas, forçou o cancelamento de sessões e a convocação de reuniões de líderes para resolver a situação. Durante o protesto, Zé Trovão impediu a subida de Hugo Motta à Mesa do plenário, criando um impasse que durou alguns minutos até que liberou o acesso. Apesar da intervenção de outros deputados, Motta enfrentou dificuldades para chegar à sua cadeira e não conseguiu se sentar devido à recusa de Van Hattem e Pollon em desocupar a Mesa.
Esses eventos geraram um intenso debate sobre a imunidade parlamentar e os limites da manifestação política dentro do Congresso. A proposta de suspensão dos deputados reflete um esforço da Câmara para manter a ordem e a integridade das sessões legislativas, enquanto os parlamentares acusados argumentam que suas ações são uma forma legítima de protesto contra decisões que consideram injustas. O desdobramento desses acontecimentos será analisado em breve, com a expectativa de que os relatos e recomendações sejam discutidos e votados na próxima sessão.
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