Surto de doenças: 1.700 alunos afetam-se por comida escolar na Indonésia

Mais de 1.700 pessoas adoecem após comerem refeições escolares na Indonésia

Na Indonésia, um surto de intoxicação alimentar afetou mais de 1.700 pessoas, incluindo alunos e professores, após o consumo de refeições gratuitas fornecidas pelo governo. De acordo com autoridades locais, 777 pessoas adoeceram em uma escola de ensino médio em Lasem, Java Central, onde os alunos consumiram frango grelhado. A diretora da escola, Juhartutik, relatou que, antes da refeição, um provador notou que parte do frango apresentava uma textura “viscosa”. As refeições foram preparadas às 3 da manhã e servidas ao meio-dia. De acordo com informações, 15 pessoas precisaram ser hospitalizadas devido à gravidade dos sintomas, que incluíam diarreia e vômitos.

Além do caso em Lasem, outras localidades também relataram surtos de intoxicação alimentar. Em Sidoarjo, Java Oriental, 664 alunos adoeceram, levando à suspensão das atividades da cozinha responsável. Outros 49 casos foram registrados em Nganjuk, também em Java Oriental, e 237 em Agam, Sumatra Ocidental. Charles Honoris, um legislador, destacou que esses incidentes não eram isolados, mas sim indícios de uma falha sistêmica no programa. Até 1º de setembro, aproximadamente 50 mil pessoas já haviam sido afetadas por intoxicações alimentares relacionadas ao programa de refeições.

O programa de refeições gratuitas, lançado pelo presidente Prabowo Subianto no ano anterior, tinha como objetivo melhorar a nutrição de milhões de crianças indonésias e foi orçado em US$ 12,94 bilhões (cerca de R$ 66 bilhões). No entanto, desde o seu início, o programa enfrentou críticas por alegações de corrupção, mudanças frequentes na liderança e a recorrência de surtos de intoxicação alimentar. Problemas como o armazenamento inadequado de alimentos e a entrega tardia de refeições preparadas foram frequentemente citados como causas dos problemas de saúde.

Sudaryono, chefe da Agência Nacional de Nutrição, que supervisiona o programa, afirmou em uma audiência parlamentar que os casos de intoxicação alimentar seriam tratados com a devida seriedade. No entanto, a insatisfação pública com o programa é evidente. Uma pesquisa realizada pelo instituto Saiful Mujani Research and Consulting revelou que apenas um terço da população estava satisfeito com as refeições, sendo os surtos de intoxicação um dos principais motivos da insatisfação.

A situação levanta preocupações sobre a eficácia e a segurança do programa de nutrição implantado pelo governo. As autoridades de saúde estão sob pressão para investigar as causas das intoxicações e implementar medidas para garantir que as refeições fornecidas sejam seguras e nutritivas para as crianças. O desafio agora é restaurar a confiança do público e garantir que o programa, que tem um potencial significativo para melhorar a saúde infantil, funcione como planejado, sem comprometer a segurança dos beneficiários.

Fonte: Link original

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