USP Apresenta Baixa Representatividade Étnico-Racial entre Docentes
A Universidade de São Paulo (USP) enfrenta desafios significativos em relação à diversidade étnico-racial em seu corpo docente. De acordo com dados do Anuário Estatístico da instituição, apenas cinco professores se identificam como pretos entre os 1.091 docentes titulares. Além disso, apenas dez se declaram pardos e um é indígena, totalizando apenas 1,5% do quadro de professores titulares.
A análise dos dados revela que, entre os 5.482 docentes da USP, apenas 62 se identificam como pretos, 167 como pardos e cinco como indígenas, o que representa apenas 4,3% do total. Os números são ainda mais alarmantes quando observamos os diferentes níveis da carreira acadêmica: 6,3% dos professores doutores são pretos, pardos ou indígenas, enquanto essa proporção cai para 3,6% entre os associados e 1,5% entre os titulares. Dentre os docentes titulares, 93,9% se identificam como brancos.
A USP informou que, nos últimos concursos, 14,8% dos aprovados eram pretos ou pardos. A gestão do reitor Aluísio Segurado está buscando maneiras de aprimorar as políticas afirmativas da universidade. No entanto, a representatividade dos professores não reflete a diversidade da população estudantil e da sociedade paulista. Os dados do Censo de 2022 indicam que pretos, pardos e indígenas representam 25,6% dos alunos de graduação da USP e 41,1% da população do estado de São Paulo.
Em maio de 2023, a USP implementou uma política de ações afirmativas para a contratação de professores e funcionários, reservando 20% das vagas para candidatos pretos, pardos e indígenas, mas essa reserva é aplicada apenas quando há três ou mais vagas disponíveis. Nos editais com uma ou duas vagas, não há reserva específica, o que limita a inclusão desses grupos.
Outro ponto crítico é o bônus aplicado à nota dos candidatos que se autodeclaram pretos, pardos ou indígenas, que é calculado com base na diferença entre seu desempenho e o dos demais candidatos. Essa estratégia tem sido alvo de críticas, pois permite que departamentos realizem concursos com uma vaga sem garantir a inclusão de candidatos negros ou indígenas.
Em comparação, a Universidade Federal do ABC (UFABC) adotou uma política mais abrangente, reservando 40% das vagas para docentes negros. Em 2024, 12,5% dos professores da UFABC eram negros, uma proporção quase três vezes superior à da USP.
Desde a implementação das políticas afirmativas, o número de docentes pretos, pardos e indígenas na USP aumentou de 140 em 2023 para 234 em 2025, representando um crescimento de 67%. No entanto, essa variação pode incluir mudanças nas autodeclarações e atualizações cadastrais, não sendo totalmente atribuída às novas contratações.
A nova resolução de 2023 estabelece que a USP deve buscar uma participação de docentes pretos, pardos e indígenas condizente com a composição demográfica de São Paulo e prevê revisões periódicas das políticas após três anos.
Contudo, em 2025, a Defensoria Pública ajuizou uma ação contra a USP, questionando a aplicação das bonificações e cotas apenas em concursos publicados após a nova norma, argumentando que isso contraria princípios constitucionais e administrativos. Além disso, a discussão sobre as barreiras enfrentadas por professores PPI na USP ganhou destaque após o caso de Érica Cristina Bispo, que, após ser aprovada em primeiro lugar em um concurso, teve a seleção anulada por alegações de favorecimento.
O Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou que não foram encontradas irregularidades no processo, mas a situação permanece pendente enquanto a disputa legal sobre a seleção original continua. Essa complexa realidade evidencia os desafios enfrentados pela USP em sua busca por uma maior diversidade e inclusão em seu corpo docente.
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