Falece Amelinha Teles, Jornalista e Ativista dos Direitos Humanos
Amelinha Teles, renomada jornalista, escritora e defensora dos direitos humanos, faleceu na terça-feira, 15 de outubro. Conhecida por sua luta incansável contra a ditadura militar brasileira e sua contribuição significativa para o movimento feminista no Brasil, sua morte representa uma grande perda para a sociedade.
O velório de Amelinha ocorrerá na quarta-feira, 16 de outubro, das 12h às 17h, no Cemitério da Vila Formosa, localizado na zona leste de São Paulo.
Nascida em Contagem, Minas Gerais, Amelinha começou sua trajetória de militância política na juventude. Ela se destacou na resistência clandestina ao regime militar, atuando pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Sua coragem a levou à prisão em 28 de dezembro de 1972, em São Paulo, onde foi submetida a torturas físicas e violência sexual nas instalações da Operação Bandeirantes (Oban) e do DOI-Codi, sob a supervisão do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.
Contribuições Inestimáveis
Em 1984, Amelinha fundou a União de Mulheres de São Paulo e, durante a Assembleia Nacional Constituinte, foi uma das figuras-chave no “Lobby do Batom”, movimento que assegurou a inclusão da igualdade de direitos entre homens e mulheres na Constituição de 1988. Em 1994, ela criou o projeto Promotoras Legais Populares (PLPs), que visava capacitar mulheres em questões jurídicas e que se expandiu para várias cidades do Brasil.
A busca por justiça foi uma constante em sua vida. Em 2005, a família de Amelinha moveu uma ação contra Ustra, que em 2008 se tornou o primeiro agente do Estado brasileiro reconhecido judicialmente como torturador da ditadura. Amelinha também fez parte da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo, “Rubens Paiva”, e integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.
Lamento e Reconhecimento
A morte de Amelinha Teles gerou uma onda de homenagens nas redes sociais. A deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP) expressou seu pesar, ressaltando a importância da trajetória da ativista. “Uma mulher histórica, referência para tantas gerações que lutam pela vida das mulheres e pela democracia”, afirmou. Ela destacou a influência de Amelinha em sua própria vida e o impacto de sua obra, incluindo o livro de contos “Contos da cela três”, que aborda suas experiências durante a ditadura.
Amelinha Teles deixa um legado duradouro na luta pelos direitos das mulheres e pela justiça social, sendo autora de obras fundamentais como “Breve história do feminismo no Brasil” e “O que é violência contra a mulher”. Em 2024, ela lançou “Contos da cela três: Memórias de uma presa política na ditadura”, onde revive as memórias de seu tempo encarcerada, perpetuando sua história e ensinamentos.
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