Brasil atrai atenção do Pentágono por terras raras estratégicas

Brasil atrai atenção do Pentágono por terras raras estratégicas

Brasil e a Guerra das Terras Raras: A Nova Fronteira da Indústria de Defesa

Os caças F-35, drones e mísseis Tomahawk utilizados pelos Estados Unidos em conflitos, especialmente contra o Irã, têm um elemento em comum: a dependência de ímãs feitos com terras raras. Esses elementos químicos, essenciais para a tecnologia militar, estão cada vez mais no centro das disputas geopolíticas, especialmente entre os EUA e a China, que detém o controle da maioria da produção e processamento dessas substâncias.

Durante a presidência de Donald Trump, o governo americano priorizou a busca por fontes alternativas de terras raras fora da China. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou que, a partir de 2027, irá proibir a aquisição de ímãs feitos com esses elementos provenientes de países considerados adversários, como Irã e Rússia. Nesse cenário, o Brasil, que possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, surge como protagonista.

No Brasil, as terras raras também são vistas como cruciais para a transição energética, com aplicações em motores de veículos elétricos e turbinas eólicas. Projetos de mineradoras têm recebido apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do governo federal, que buscam desenvolver uma cadeia industrial voltada para a descarbonização da economia.

Um destaque nesse cenário é a Serra Verde, a única mineradora de terras raras em operação comercial no Brasil. Recentemente, a empresa anunciou a aquisição pela americana USA Rare Earth, que garantiu um contrato de fornecimento de 15 anos, abrangendo 100% da produção da mineradora. A Serra Verde explora um grande depósito em Minaçu, Goiás, onde a exportação de terras raras para os EUA começou a ganhar força, enquanto as vendas para a China diminuíram.

A CEO da USA Rare Earth, Barbara Humpton, enfatizou a importância da Serra Verde, referindo-se a ela como a única produtora de terras raras pesadas fora da Ásia, com destaque para o samário, um ingrediente vital para a fabricação de ímãs utilizados em mísseis. Com um financiamento de US$ 1,6 bilhão do governo dos EUA, a empresa está em busca de garantir sua posição no mercado de defesa, especialmente diante das restrições impostas pela China.

Além da Serra Verde, a mineradora Meteoric, que está em fase de exploração em Minas Gerais, também está alinhada com o ecossistema do Departamento de Defesa dos EUA. A empresa assinou um Memorando de Entendimento com a canadense Ucore, visando o fornecimento futuro de terras raras.

A crescente demanda por terras raras, tanto para a transição energética quanto para a indústria militar, levanta questões sobre a destinação final desses recursos. Embora o BNDES afirme que a análise dos projetos prioriza a transição energética, a falta de controle sobre os acordos comerciais entre mineradoras e compradores internacionais gera preocupações sobre possíveis usos militares.

A discussão sobre a exploração de terras raras no Brasil não se limita apenas a sua extração, mas também envolve questões éticas e de transparência. O destino final desses minerais, que podem ser utilizados em armamentos, levanta um debate sobre a responsabilidade das mineradoras e o impacto de suas operações nas comunidades locais.

À medida que o mundo se volta para fontes de energia mais limpas, o papel do Brasil na cadeia global de terras raras se torna cada vez mais complexo, exigindo uma análise cuidadosa das implicações econômicas, ambientais e sociais dessa nova fronteira.

Fonte: Link original

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