Em maio de 2026, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou um crescimento de 0,7% em relação a abril, conforme indicado pelo Monitor do PIB do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Em comparação com maio de 2025, o crescimento foi de 1,2%. Esse desempenho positivo pode ser atribuído ao avanço nas atividades da agropecuária e dos serviços, além da estabilidade na indústria. Contudo, a taxa acumulada em 12 meses até maio foi de 1,7%.
Juliana Trece, coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre/FGV, destacou que, embora o consumo das famílias tenha sido o principal motor do crescimento, existem fragilidades na composição desse desempenho. O crescimento da agropecuária ocorreu após um período de retração, enquanto a estabilidade industrial sugere uma perda de fôlego no setor. Os serviços, embora tenham apresentado resultados melhores que a média do início do ano, ainda mostram um quadro misto.
No que diz respeito à demanda, o consumo das famílias foi o principal responsável pelo crescimento, com um aumento de 3,3% no trimestre encerrado em maio em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse aumento foi impulsionado principalmente por um consumo maior de serviços e bens duráveis, que juntos contribuíram com mais de 60% para o resultado positivo geral. Por outro lado, tanto as exportações quanto os investimentos apresentaram recuos, indicando uma dependência do consumo das famílias e sinalizando um possível arrefecimento da atividade econômica.
O Monitor do PIB utiliza a mesma metodologia e fontes de dados que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial das Contas Nacionais. Ao observar o desempenho do PIB no trimestre móvel até maio, houve um crescimento de 1,9% em comparação ao mesmo período do ano anterior. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede os investimentos no PIB, subiu 2,0% no mesmo intervalo, apontando um fortalecimento consistente ao longo dos últimos anos.
As exportações também apresentaram um crescimento de 4,3%, com cerca de 70% desse aumento sendo proveniente de serviços, bens de capital e bens de consumo. No entanto, as importações subiram 8,9% no trimestre terminado em maio de 2026 em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, impulsionadas por serviços e bens de consumo, especialmente automóveis e telecomunicações.
Em termos monetários, o PIB brasileiro atingiu R$ 5,466 trilhões até maio de 2026, em valores correntes. A taxa de investimento da economia foi de 18,6% em maio, indicando um nível significativo de investimentos em relação ao PIB. Apesar do crescimento observado, a análise sugere que a economia brasileira enfrenta desafios estruturais que precisam ser abordados para garantir um crescimento sustentável no futuro.
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