Ibovespa encerra em queda de 1,52% após decisão do Fed sobre juros

Ibovespa encerra em queda de 1,52% após decisão do Fed sobre juros

Ibovespa Fecha em Queda com Pressão do Setor Bancário e Decisão do Federal Reserve

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou o dia em baixa de 1,52%, cotado a 173.885,34 pontos. A queda, que atingiu a mínima do dia, foi impulsionada por um forte recuo nas ações de instituições financeiras, especialmente os papéis do Santander Brasil (SANB11), que apresentaram perdas superiores a 7%. A pressão do mercado ocorre em meio à avaliação da decisão de juros do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos.

O Federal Reserve optou por manter as taxas de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, uma decisão esperada, mas que gerou divergências entre os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). Três dos doze integrantes do comitê votaram contra, preferindo um aumento de 0,25 ponto percentual. Essa dissidência marca um episódio inédito desde 2016, evidenciando as preocupações crescentes com a inflação nos EUA.

André Valério, economista sênior do Inter, comentou que a decisão do Fed era amplamente antecipada, mas a discordância interna sugere um aumento das tensões sobre a política monetária. “O mercado já precifica uma alta em setembro, mas a dinâmica inflacionária será crucial para determinar os passos seguintes do Fed”, afirmou Valério. O especialista também alertou que a situação geopolítica no Oriente Médio e o preço do petróleo, que se aproxima dos US$ 100, podem impactar as expectativas inflacionárias.

O fundador da Inflation Insights, Omair Sharif, previu um aumento de 25 pontos-base nas taxas de juros em setembro, a menos que ocorram mudanças drásticas nos dados do mercado de trabalho ou na inflação. Enquanto isso, a economista-chefe da Nationwide, Kathy Bostjancic, destacou que a quantidade de votos dissidentes reflete um viés mais restritivo entre os formuladores de políticas monetárias.

Na coletiva de imprensa após a decisão, o presidente do Fed, Kevin Warsh, não apresentou novos sinais sobre a trajetória futura das taxas de juros, embora tenha reiterado que a inflação deve ser vista como uma escolha. Para Marianna Costa, da Mirae Asset, tanto o comunicado quanto a coletiva não trouxeram indicações claras sobre a política monetária futura, mesmo com o mercado considerando uma alta de juros em setembro como provável.

Nos mercados, a reação foi imediata, com os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA de dois anos caindo após o anúncio, refletindo um ajuste nas expectativas sobre o risco de aumento das taxas. Apesar da falta de sinalizações diretas, a composição dos votos sugere que o FOMC mantém uma inclinação para o aperto monetário, com a curva de juros precificando cerca de duas elevações de 25 pontos-base até o final do primeiro trimestre de 2027.

Além das movimentações no mercado financeiro, o conflito no Oriente Médio continua a preocupar os investidores, com os preços do petróleo subindo cerca de 8% nesta quarta-feira em meio a novos ataques aéreos na região, colocando em xeque a possibilidade de um desfecho pacífico no conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Fonte: Link original

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